Rússia

Vladimir Putin aponta Estados Unidos e NATO como principais ameaças

Vladimir Putin, aprovou uma nova doutrina militar que aponta Estados Unidos e NATO como as maiores ameaças, tendo em conta as mudanças geopolíticas causadas este ano pela crise na Ucrânia.

Rússia adotará medidas para travar a pretensão de certas potências de conseguir uma "superioridade militar", afirma Putin

SERGEI ILNITSKY/EPA

O Presidente russo, Vladimir Putin, aprovou nesta sexta-feira uma nova doutrina militar que aponta Estados Unidos e NATO como as maiores ameaças, tendo em conta as mudanças geopolíticas e de segurança causadas este ano pela crise na Ucrânia. Entre as principais ameaças exteriores para a Rússia, no documento-se destaca o aumento do potencial militar da Aliança Atlântica, a sua aproximação às fronteiras russas e a assunção de funções globais, que Moscovo considera violarem o direito internacional.

Além disso, alude à teoria do “ataque global” dos Estados Unidos, que contempla um ataque estratégico, mas sem recurso a armas nucleares, a colocação de armamento de alta precisão e o início de uma corrida às armas no espaço. Na nova doutrina expõe-se que a Rússia adotará medidas para travar a pretensão de certas potências de conseguir uma “superioridade militar”, através do desdobramento de elementos estratégicos de defesa antimísseis, numa clara alusão à presença do escudo norte-americano na Europa.

Outras ameaças externas são as pretensões sobre o território da Rússia e dos seus aliados, a ingerências nos assuntos internos e o estalar de conflitos em territórios limítrofes com a Rússia e aliados. No documento, publicado na página da internet do Kremlin, introduz-se o onceito de “contenção não nuclear”, que consiste em manter no estado de alerta máximo as forças armadas da Rússia como manobra dissuasora de eventuais conflitos.

Como instrumento de prevenção de conflitos, a doutrina destaca a cooperação com os países que integram o grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a Organização de Cooperação de Xangai, que inclui a Rússia e a China, ou a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Outros perigos para a segurança da Federação Russa são a escalada do terrorismo e do extremismo internacionais e a “ameaça real de serem cometidos atos terroristas com a utilização de substâncias radioativas e químicas”.

Pela primeira vez, a doutrina militar russa refere-se à defesa dos interesses nacionais no Ártico, região que acolhe importantes recursos naturais e onde a Rússia admite instalar várias bases militares. Também destaca que a prioridade da cooperação político-militar com as regiões separatistas georgianas da Abecásia e Ossétia do Sul, cuja independência foi reconhecida por Moscovo em 2008, é garantir a sua defesa e segurança de forma conjunta.

Quanto às ameaças internas, adverte contra as intenções de desestabilizar a situação política e social e de reverter a ordem constitucional, a ameaça terrorista e as campanhas informativas junto da população para pôr em dúvida as tradições históricas e espirituais do país.

A nova doutrina optou por não modificar o artículo 22, introduzindo o ataque nuclear preventivo — como adiantaram alguns meios de comunicação -, e estabelece que o país apenas recorrerá ao seu arsenal atómico em caso de agressão.

Na semana passada, durante a discussão do documento com altos responsáveis da defesa e do exército, Putin assegurou que a nova doutrina, que substituirá a vigente (desde 2010), continuará a ser estritamente defensiva. No entanto, o Presidente russo classificou de impressionantes os planos de rearmamento do exército russo, que receberá no próximo ano mais de 50 novos mísseis intercontinentais capazes de superar o escudo norte-americano.

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