Alberto da Ponte, antigo presidente executivo da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC), renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da RTP, apurou o Observador. O anúncio surge depois de já serem conhecidos os futuros administradores da estação pública: Gonçalo Reis e Nuno Artur Silva.

Em comunicado, o Governo esclareceu que os “membros do Conselho da Administração da RTP (…) decidiram apresentar a renúncia aos seus cargos após a entrega do relatório relativo às contas do exercício social de 2014, o que acorrerá até final de janeiro” – as empresas apresentam, por norma, o relatório de contas em final de março. O Executivo elogiou esta decisão que respeita “o desejo manifestado pelo Governo” e salvaguarda “o superior interesse da empresa”.

O Governo agradeceu ao Conselho de Administração cessante “todo o trabalho desenvolvido até esta data, o qual permitiu assegurar durante o seu mandato o cumprimento das obrigações de serviço público” e a “boa gestão (…) que contribuiu para os bons resultados económicos e financeiros alcançados (…) num contexto difícil, resultante dos constrangimentos existentes em termos de financiamento público (…)”.

O Conselho de Administração da RTP cessante, também em comunicado, mostrou-se satisfeito pelo desfecho das negociações com o Governo. “Estamos satisfeitos por ter chegado a um acordo, satisfeitos por ter sido reposta a reputação e, sobretudo, por ter poupado a RTP das consequências negativas que de outra forma não poderiam ser evitadas”, pode ler-se no comunicado enviado às redações pela equipa liderada por Alberto da Ponte. O elogio do Governo à equipa de Alberto da Ponte terá sido uma condição para o acordo.

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Recorde-se que no despacho de defesa da administração da RTP, a que a Lusa teve acesso em dezembro, a equipa de Alberto da Ponte admitia apresentar a renúncia ao cargo desde que fosse assegurado “o respeito pelo bom trabalho por si colegialmente e individualmente realizado” nos seus mandatos.

No documento, os membros do Conselho de Administração – composta por por Alberto da Ponte, Luiana Nunes e António Beato Teixeira — declaravam que não tinham “a menor intenção de permanecer nas suas funções contra o desejo do acionista da RTP”, acrescentando que caso tal fosse “manifestado, e tendo em vista a salvaguarda do superior interesse da RTP”, estavam “disponíveis para apresentar a sua renúncia aos cargos que actualmente ocupam”.

No entanto, essa renúncia só aconteceria “desde que assegurado o respeito pelo bom trabalho por si colegialmente e individualmente realizado durante o período já decorrido dos seus mandatos, bem como o respeito pelas suas reputação e ética profissionais”, apontavam ao longo de quase 90 páginas, onde acusavam o CGI de ter actuado numa “pura lógica de ‘apparatchik’ [aparelho]”.

O Conselho Geral Independente tinha chumbado o plano estratégico do atual conselho de administração no final do ano passado, numa altura que coincidiu com a polémica sobre a compra de jogos da Liga dos Campeões pela RTP, o que precipitou a saída de Alberto da Ponte e da equipa do Conselho de Administração da RTP.

As primeiras declarações do futuro presidente do Conselho de Administração da RTP, Gonçalo Reis, em entrevista ao Expresso, parecem indicar que a estação pública tem outros planos para a programação, no sentido de fazer da RTP um serviço “complementar e não concorrencial com os privados”.

“Creio que a RTP não deve concorrer com os privados, mas sim emitir e produzir conteúdos diferenciadores, sofisticados e de qualidade. (…) Deve ser esse o DNA da RTP”, esclareceu Gonçalo Reis ao mesmo jornal.