Menos de um mês depois de o Ministério Público arquivar o processo contra o fundador da “Tugaleaks” e Hackers Portugal, Rui Cruz voltou esta quinta-feira a ser alvo de nova investigação. Esta quinta-feira foi detido no âmbito de uma operação que visa seis outros suspeitos. Todos eles terão estado por trás de vários ataques informáticos registados nos últimos meses e que levaram ao acesso e divulgação de diversos dados pessoais.

A Polícia Judiciária fez mais de 20 buscas domiciliárias, uma delas a um órgão de comunicação social, o Tugaleaks. Segundo um comunicado enviado pelo Ministério Público (MP), “entre os factos em investigação encontram-se os ataques informáticos a servidores que alojam sites do Ministério Público, da Polícia Judiciária, do Conselho Superior da Magistratura, da EDP e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista“. Os ataques foram todos assinados pelo Grupo Anonymous.

Em causa estão crimes de acesso ilegítimo, dano informático, sabotagem informática e associação criminosa. O comunicado da PJ traz mais pormenores. Na “Operação C4R3T05 (CARETOS)”, refere, participaram 70 funcionários especializados na área do cibercrime.

Em “estreita articulação com o Gabinete do Cibercrime da Procuradoria-Geral da República”, as buscas realizadas ocorreram em vários locais do País, “numa vasta operação de combate à criminalidade informática e tecnológica, designadamente à atividade ilícita conhecida como ‘hacktivismo'”, refere o comunicado.

A investigação começou em abril de 2014, depois dos primeiros ataques. Esta quinta-feira foram realizadas 24 buscas e detidos seis suspeitos e uma suspeita, entre os 17 e os 40 anos. Entre eles está o fundador da Tugaleaks, segundo avançou TSF. Houve, ainda, 14 suspeitos constituídos arguidos. A PJ diz que a investigação não termina aqui e que vai continuar a procurar possíveis ligações deste grupo.

“A atividade destes grupos centrava-se no ataque frequente e lesivo a sistemas informáticos institucionais, públicos e privados, sendo que as consequências práticas do cometimento destes tipos de crimes conduzem à inesperada inoperabilidade institucional dos mesmos, com os prejuízos daí resultantes”, refere o comunicado.

Uma “prática” que, diz a PJ, afeta a imagem do Estado Português no que toca à segurança dos seus sistemas informáticos, “comprometendo uma maior e mais segura adesão aos serviços nas redes de informação, processamento e comunicação”. Aliás, nos ataques levados a cabo no último ano, os piratas têm manifestado sempre que o seu objetivo é mostrar a vulnerabilidade destes sistemas.

O Tugaleaks

Recorde-se que no início do mês de fevereiro, o MP tinha arquivado um processo contra o Rui Cruz – titular de uma carteira profissional de equiparado a jornalista – por alegada violação de correspondência ou telecomunicações. Na sequência do despacho de arquivamento, Rui Cruz declarou à Lusa que iria pedir uma uma indemnização pelos “graves problemas financeiros” causados pela apreensão de material informático, incluindo um portátil, durante os quase três anos do processo.

As buscas realizaram-se em março de 2012 quando a PJ entrou na habitação do fundador do Tugaleaks sem, acusa Rui Cruz, ter referido os motivos da busca.

O site do Tugaleaks apresenta-se como um órgão de comunicação social inspirado na Wikileaks. “Feito em Portugal. Sem apoio de políticos ou grupos económicos”. No site têm sido denunciados vários casos de contratações públicas, gastos de dinheiros públicos e utilização de meios públicos que podem levantar suspeitas. Mas também são divulgados ataques informáticos, como os que agora estão a ser investigados. Ou outros, como é o caso dos piratas informáticos que andam à procura de pedófilos que atuam na internet, cujos nomes divulgam na tentativa de prevenir possíveis crimes.