“Queremos liberdade de expressão”, diz o alerta assinado pelo grupo Anonymous Portugal que esta terça-feira conseguiu entrar na página oficial da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas. O grupo já conseguiu retirar alguns documentos, como os dados do jornalista com a carteira profissional nº 1, já reformado. Na rede social Facebook já circulam documentos digitalizados que constam na base de dados. Noutros sites, há informações de mails e palavras passe de jornalistas.

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) é o órgão que regula o exercício da profissão de jornalista. Contactada pelo Observador, fonte da Comissão disse já ter sido alertada por “colegas” jornalistas para a situação. E remeteu explicações para mais tarde.

hackers comissão

O grupo queixa-se do funcionamento da Comissão

Nas páginas dos grupos Hackers Street, Outsiderz Arcainex e SideKingdom12 – grupos que estão a fazer os ataques simultaneamente – há já links (ligações) para páginas, como o Pastebin, onde constam endereços de mail e as palavras passe dos jornalistas registados na página da CCPJ.

Estes grupos, que têm atuado em conjunto com o objetivo de mostrar a vulnerabilidade das instituições e das suas bases de dados, alegam que a Comissão “censura” os jornalistas e cobra “50 euros” pela carteira profissional, mesmo se o jornalista estiver desempregado.

Recorde-se que que no ano passado o grupo Anonymous Portugal conseguiu entrar em várias páginas oficiais, algumas do próprio Ministério Público que abriu um inquérito.

CCPJ emite esclarecimento e diz que não é a primeira vez

Num esclarecimento enviado ao Observador, a CCPJ diz que não é a primeira vez que há uma “tentativa de acesso” aos dados dos jornalistas. Já foi apresentada uma queixa ao Ministério Público e deverá ser apresentada outra.

A CCPJ refere, no entanto, que os piratas poderão ter acedido a documentos digitalizados que constam na base, mas não confirma o “acesso aos registos informáticos individuais dos jornalistas”. O Observador, no entanto, contactou com um dos jornalistas que consta na informação partilhada na página Pastebin e confirmou a veracidade do endereço de email divulgado. A CCPJ explicou, depois, que o email e a palavra passe podem ser verídicos, sim. Mas, que não são os utilizados para entrar na página da Comissão. “Testámos e não era possível”, disse fonte da CCPJ.

É conveniente que os jornalistas que constam na lista mudem a sua palavra passe da conta do email.

Depois de avaliar os “elementos disponíveis”, a CCPJ concluiu “que poderá ter havido um acesso indevido à sua aplicação, que poderá ter permitido a visualização e eventual cópia/reprodução de documentos digitalizados nela arquivados”.

A CCPJ diz, no entanto, que estes dados não permitem aceder aos conteúdos reservados do site. Ainda assim, nos próximos dias a CCPJ vai “reforçar a segurança dos seus registos informáticos”, alertando para possíveis momentos de indisponibilidade da página.

 

 

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