O ministro grego Yanis Varoufakis diz que estão “longe da verdade” as notícias de que já está a ser negociado um terceiro programa de assistência para a Grécia. Notícias que se baseiam nas afirmações de Luis de Guindos de segunda-feira, ministro espanhol que até atirou um valor indicativo para quanto esse “resgate” custaria – entre 30 e 50 mil milhões de euros. O ministro grego garantiu, também, que o país tem alternativas para satisfazer as necessidades de financiamento de março mesmo que não receba a última tranche do segundo programa, que está em curso.

“Não está a ser preparado qualquer terceiro pacote de empréstimos”, garantiu Yanis Varoufakis, acrescentando que a Grécia “não tem necessidade” de tal acordo que Varoufakis recusa chamar “resgate” ou mesmo “programa de assistência”. As declarações, citadas pela agência ANA-MPA, foram proferidas num discurso durante um jantar da Câmara de Comércio e Indústria Greco-Francesa, que celebrou 130 anos de existência.

Varoufakis assegurou, também, que não há qualquer risco de um incumprimento com a dívida neste mês de março, já que o governo tem um “plano B” para o caso de não ser recebida a tranche de 7,2 mil milhões que está suspensa no âmbito da última avaliação do segundo programa. O responsável não indicou, contudo, em que se baseia esse “plano B”.

BCE aumenta limite da liquidez em (apenas) 500 milhões de euros

A publicação grega Capital.gr adianta esta quinta-feira que o Banco Central Europeu decidiu aumentar em mais 500 milhões de euros o limite máximo para a utilização das plataformas de emergência (ELA) mediante apresentação de dívida pública da Grécia como garantia. O limite subiu de 68,3 mil milhões para 68,8 mil milhões, um aumento muito ligeiro que, contudo, o BCE ainda não confirmou oficialmente.

No discurso da noite de quarta-feira, citado pela agência ANA-MPA, Varoufakis voltou a expressar o desejo de que o BCE volte a aceitar a dívida grega como garantia nas plataformas normais de cedência de liquidez, o que passaria por repor o regime de exceção que existia até início de fevereiro.

O ministro foi, ainda, questionado sobre o facto de a chanceler alemã, Angela Merkel, se ter referido na quarta-feira como “troika” às instituições que o governo grego não quer que se designem por esse nome. “É uma força do hábito”, desvalorizou Yanis Varoufakis, salientando que vê a Alemanha como uma “força de estabilidade” na Europa.