Elisabeth von Thurn und Taxis, editora da edição norte-americana da Vogue, chocou a Internet quando, no passado fim de semana, publicou uma fotografia no Instagram que levou muitos seguidores a questionarem o gosto — ou a falta dele — da jornalista. Na imagem é possível ver uma sem-abrigo a folhear um exemplar da revista Vogue, seguida da legenda “Paris está cheio de surpresas… e os leitores da @voguemagazine [estão] nos cantos mais inesperados”.

A princesa alemã, descendente de uma família de sangue azul muito prestigiada naquele país, encontrava-se em Paris para assistir aos desfiles da Semana de Moda — que termina esta quarta-feira –, quando se deparou com a sem-abrigo sentada numa das ruas da cidade e rodeada de lixo. Publicada a fotografia, a conta de TNT (de Thurn und Taxis) recebeu inúmeros comentários que revelaram um desagrado geral. Há quem tenha mesmo apelidado o ato de “horrível” e até “estúpido”, garante o jornal britânico Independent.

A princesa que se transformou em jornalista ainda chegou a responder aos sucessivos comentários: “Porque me acham tão cruel? Esta pessoa é, para mim, tão digna como qualquer outra”. Apesar disso, TNT viu-se forçada a apagar a respetiva imagem e a publicar outra na forma de um pedido de desculpas. Fê-lo este domingo, ao tornar pública uma fotografia do rio Sena com a seguinte legenda: “Queria pedir as minhas sinceras desculpas pela ofensa que o meu post causou”.

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Elisabeth von Thurn und Taxis Instagram

Mas o pedido de perdão parece não ter solucionado tudo, com o site de moda Fashionista a tecer duras críticas à alemã que ocupa o cargo de editora de estilo desde 2012. “As coisas que ela escreve, tanto na Vogue como nas redes sociais, muitas vezes pisam a linha entre o entretenimento/aspiracional e o perturbadoramente insensível. No sábado ela cruzou a linha”, lê-se na página. Já antes o Fashionista mostrou pouco afeto pela princesa, quando em março de 2012 publicou um texto que dava conta dos tweets da editora, ridicularizando o seu estilo de vida ostentoso.

Mas esta não é a primeira vez que alguém na indústria da moda se vê envolvido numa polémica que ganha proporções astronómicas com o empurrão da Internet, lembra a espanhola Vanitatis. Exemplo disso foi quando a publicitária da marca Valentino, Upasna Khosla, enviou um comunicado aos jornalistas onde dava conta que a atriz Amy Adams usara uma mala da griffe a 6 de fevereiro de 2014, em Nova Iorque — a data e o local dizem respeito ao funeral de Philip Seymour Hoffman.

Também Victoria Beckham se viu em maus lençóis. Para publicitar a mais recente coleção de roupa (outono-inverno 2015), a ex-Spice Girl optou por ter modelos pálidas e muito magras a posarem enquanto cadáveres, o que não caiu bem junto de Karen Ingala Smith. A diretora de uma organização que todos os anos conta o número de mulheres mortas no Reino Unido disse, à data, “A violência contra as mulheres é o resultado da desigualdade sexual. Precisamos de fazer uma ligação entre isto e o tratamento das mulheres enquanto objetos. Converter as mulheres — vivas ou mortas — em objetos decorativos, como faz Backham, é parte do problema”.