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São conhecidos vários benefícios dos legumes, mas este é novo: para não transpirar nem passar frio quando as temperaturas têm uma amplitude maior do que uma ginasta russa, a solução é… uma cebola. “Chama-se a isto a técnica de vestir por camadas”, diz Mónica Lice, consultora de imagem e autora do blogue Mini-Saia. “Ter várias peças e poder tirar a de cima, ou a do meio, ao longo do dia.”

Não custa nada nem faz chorar, apenas implica algum planeamento. “O segredo é trabalhar com sobreposições: uma t-shirt, um cardigan fininho e um trenchcoat, e ir tirando peças para se adaptar à irregularidade climatérica”, acrescenta o stylist Pedro Crispim.

O trenchcoat, ou gabardine, foi aliás uma das peças essenciais apontadas pelos vários especialistas com quem falámos. “É um tipo de casaco que cobre o corpo e protege do frio mas que, como é leve, não nos deixa sufocar com o calor”, diz Juliana Cavalcanti, consultora para a indústria da moda. Pedro Crispim, apologista de “adquirir peças que sejam versáteis e ao mesmo tempo práticas”, acrescenta: “é uma peça intemporal e à prova de tendências. Além de se poder usar o ano todo, é também unissexo, porque funciona tanto para homem como para mulher, e há opções para todas as bolsas, da Burberry à H&M.”

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O que usar debaixo do trenchcoat “depende da fase”. Voltando a Juliana Cavalcanti: “Se for nesta fase em que está mais frio do que calor, deve-se optar por uma malha de manga comprida, pode ser de algodão. Se for na fase mais quente, deve-se optar por uma t-shirt ou tank top [camisola de alças].” “Nesta altura não convém andar com peças muito quentes e deve-se privilegiar, nas que estão em contacto direto com a pele, as fibras naturais e não sintéticas”, acrescenta Pedro Crispim. “As sintéticas têm tendência para aquecer e as naturais acabam por ser mais confortáveis.”

Para o consultor de moda, o mesmo raciocínio usado para a parte de cima do look deve ser usado para a parte de baixo, de forma a garantir um resultado “inteligente e confortável”: “Aconselho umas calças de ganga lisas, sem pré-lavagens nem rasgões. Se forem num azul sólido, são mais elegantes, intemporais e versáteis.”

A par da técnica da cebola, Mónica Lice sugere outra arma: “apostar em lenços que sejam usados como cachecol de manhã e à noite, mas que à tarde possam ser guardados ou desenrolados e colocados ao longo do corpo.” “Aconselho sempre, quer às mulheres quer aos homens, a ter uma écharpe na mala nesta altura”, diz Pedro Crispim. “Ajuda a agasalhar e traz também alguma dinâmica ao look, introduzindo cor ou um padrão.” Essa écharpe — e não cachecol, atenção — deve ser de um tecido fino. Juliana Cavalcanti sugere seda e uma forma alternativa de a usar: “Quando estou com calor, prendo a écharpe na mala e até fica um efeito engraçado.”

BERLIN, GERMANY - JANUARY 16:  Johanna Klum (bag detail) attends the Laurel show during Mercedes-Benz Fashion Week Autumn/Winter 2014/15 at Brandenburg Gate on January 16, 2014 in Berlin, Germany.  (Photo by Luca Teuchmann/Getty Images for IMG)

Exemplo de uma écharpe guardada com estilo, como sugere Juliana Cavalcanti. © Luca Teuchmann/Getty Images

Apesar de já se verem sandálias em pés desejosos de apanhar sol, os stylists não as recomendam. “Ainda é cedo”, diz Pedro Crispim, admitindo que também “não é preciso andar com umas [botas de pelo] Ugg”. “Os Stan Smith vintage voltaram a ser muito procurados e são ténis ótimos para esta estação, tal como os All Star. No caso das mulheres, aconselho a levar sempre uns sapatos de salto alto básicos para o escritório. Os ténis ficam para usar na selva urbana.”

“Os ankle boots, ou botins mais baixos, também são peças ideais para a meia-estação”, acrescenta Juliana Cavalcanti. Já Mónica Lice sugere igualmente umas sabrinas, e um subir das bainhas: “Nesta altura, não me choca ver calçado fechado conjugado com uma calça mais curta e uma parte da perna à mostra.”

Com vontade de mostrar pele mas sem apanhar uma gripe? Veja aqui três propostas de looks, uma de cada entrevistado:

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