Manuel Bento era o guarda-redes, Minervino Pietra, António Veloso e Humberto Coelho apareciam na defesa, Carlos Manuel, Toni, Fernando Chalana e Shéu eram os donos do meio-campo e Nené, lá à frente, marcou 32 golos numa temporada. Era 1980/81, o treinador era o húngaro Lajos Baróti e o Benfica conquistou Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça, caindo nas meias-finais da Taça das Taças. Esta segunda-feira, no Estádio da Luz, o tempo voltava atrás mais de 45 anos. 

Contra o Alverca, o Benfica lembrava a época de 1980/81 com um equipamento especial, a lembrar precisamente o dessa temporada, o primeiro a contar com o mítico trefoil da Adidas, as três características riscas da marca. De manga comprida, num exercício de nostalgia, os encarnados procuravam chegar à sexta vitória consecutiva, responder aos triunfos de FC Porto e Sporting e manter as distâncias no Campeonato. E Marco Silva, naturalmente, lembrava que para tudo isso era preciso manter o nível que a equipa tem apresentado em todas as competições.

Ficha de jogo

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Benfica-Alverca, 1-0

10.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Bruno Costa (AF Viana do Castelo)

Benfica: Samuel Soares, Alexander Bah, Lenglet, Tomás Araújo, Samuel Dahl, Fredrik Aursnes, João Palhinha (Manu Silva, 90+2′), Lukebakio (Rafa Silva, 69′), Schjelderup (Claudio Echeverri, 45′), Prestianni (Jakub Kaminski, 90+3′), Pavlidis (Jhon Durán, 90+2′)

Suplentes não utilizados: Trubin, Alessandro Circati, Sudakov, El Karouani, Daniel Banjaqui, Anísio Cabral, Tiago Freitas

Treinador: Marco Silva

Alverca: Matheus Mendes, Nabil Touaizi, Yaya Bojang, Sergi Gómez, Isaac James (Cédric Nuozzi, 86′), Francisco Chissumba (Diogo Spencer, 59′), Davy Gui, Ian Luccas (Vivaldo Semedo, 75′), Chiquinho, Dawda Camara (Zé Rafael, 75′), Figueiredo (Matheus França, 59′)

Suplentes não utilizados: André Paulo, Julián Martínez, Vasco Moreira, Samy Merheg, Zakaria Kessary, Mofe Jemide, Toni Tamarit

Treinador: Sérgio Ferreira

Golos: Pavlidis (gp, 51′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Yaya Bojang (15′), a Chiquinho (58′), a Ian Luccas (63′), a Lenglet (66′)

“É um adversário difícil, não olhamos para a tabela. Sabemos que temos de respeitar todos os adversários, como é lógico, e respeitarmo-nos ainda mais a nós mesmos enquanto grupo, enquanto equipa, sabendo que temos de estar sempre a top. É o que é, jogo após jogo, de três em três dias, estar sempre a top. A nossa obrigação é fazer tudo aquilo que conseguirmos para ganhar os nossos jogos, é isso que temos de fazer novamente amanhã”, atirou o treinador encarnado na antevisão da partida.

Assim, na Luz e já com o recuperado Daniel Banjaqui nas opções, Marco Silva mantinha Lukebakio no onze depois da boa resposta do belga na Taça da Liga contra o Gil Vicente e apostava em Prestianni e Schjelderup em simultâneo, com Fredrik Aursnes e João Palhinha no meio-campo e Rafa e Sudakov a ficarem ambos no banco. Do outro lado, num Alverca que vinha de duas derrotas seguidas, Sérgio Ferreira não tinha os castigados André Vidigal e Steven Baseya e lançava Figueiredo, Chiquinho e Dawda Camara no ataque.

Numa primeira parte que terminou sem golos, o Benfica até criou a primeira verdadeira situação de perigo, com um remate rasteiro de Alexander Bah que Matheus Mendes defendeu junto ao relvado (5′), mas o momento foi um autêntico oásis num deserto de ideias. O Alverca apresentava um bloco baixo, mas dinâmico, com as linhas muito juntas, mas muita capacidade para soltar zonas de marcação em velocidade e explorar rapidamente a eventual profundidade nas costas do adversário.

Foi assim, aliás, que os ribatejanos ganharam o livre com que acabaram por causar um enorme sobressalto na Luz. Bola parada na direita, Figueiredo rematou ao primeiro poste para Samuel Soares defender em direção ao ferro e Yaya Bojang, na recarga, encostou para a baliza — mas o lance acabou por ser anulado pelo VAR por fora de jogo do jogador da Gâmbia (25′), mantendo o nulo.

O susto fez com que o Benfica tivesse outros cuidados defensivos, controlando melhor o espaço nas costas, mas não ofereceu à equipa de Marco Silva uma imaginação maior do que aquela que tinha demonstrado até então. O ataque funcionava melhor pela esquerda do que pela direita, com Dahl e Schjelderup a entenderem-se muito melhor do que Bah e Lukebakio, mas os cruzamentos para a área eram sempre mal medidos, os passes por dentro encontravam obstáculos e Pavlidis, sempre muito combativo, ia sendo completamente anulado pela defesa do Alverca.

Lukebakio ainda teve uma boa ocasião para abrir o marcador, com um remate de fora de área que Matheus Mendes defendeu (42′), mas os encarnados não tiveram mesmo capacidade para desbloquear o nó que os ribatejanos iam montando no último terço defensivo. Ao intervalo na Luz, o Benfica estava ainda empatado sem golos contra o Alverca e teria de subir níveis de intensidade, competitividade e assertividade se quisesse algo mais.

Marco Silva mexeu logo ao intervalo e trocou Schjelderup, que fez uma primeira parte muito discreta, por Claudio Echeverri. O argentino agitou, mostrou-se assim que entrou e acabou por ser instrumental para o primeiro golo ao sofrer a grande penalidade de Sergi Gómez que permitiu a Pavlidis, ainda numa fase muito inicial do segundo tempo, converter o castigo máximo e abrir finalmente o marcador (51′). 

Sérgio Ferreira reagiu com duas substituições, lançando Matheus França e Diogo Spencer, e os encarnados foram permitindo algum crescimento dos ribatejanos, que subiram as linhas, deixaram o fosso em que estiveram afundados nos primeiros minutos da segunda parte e tentaram procurar algo mais. Figueiredo (52′) e Matheus França (64′) remataram ambos de longe para Samuel Soares defender e o jogo parecia ter-se invertido, com a equipa de Marco Silva a apostar agora em transições rápidas e um futebol mais direto para ferir o adversário.

O treinador encarnado fez a segunda alteração já dentro dos últimos 25 minutos, trocando Lukebakio por Rafa Silva, e o Alverca continuava a insistir de longe, com Chiquinho a atirar de fora de área para Samuel Soares defender à segunda (70′) para depois rematar ao lado (72′). Sérgio Ferreira fez all in com Vivaldo Semedo e Zé Rafael e o Benfica ia respirando graças a Claudio Echeverri, o grande inconformado, que rematou por cima na área depois de um grande trabalho de Rafa na direita (77′) e permitiu a defesa de Matheus Mendes ao aparecer na cara do guarda-redes (78′), e também João Palhinha, que fez talvez a melhor exibição desde que voltou a Portugal e era decisivo no apoio defensivo.

Prestianni ainda teve um bom lance para aumentar a vantagem, com um pontapé ao lado já com pouco ângulo (81′), e a verdade é que a reação ribatejana acabou por esmorecer com o desgaste físico e a inteligência dos encarnados, que nunca perderam verdadeiramente o norte. O Benfica precisou de sofrer, mas venceu o Alverca na Luz e somou a sexta vitória consecutiva em todas as competições, mantendo-se a cinco pontos da liderança do FC Porto — e Marco Silva só precisou de recuar mais de 45 anos para ver Fernando Chalana em Claudio Echeverri.