Giorgos Katrougalos é, hoje, ministro-adjunto da Administração Interna e da Reconstrução Administrativa da Grécia. Mas até junho de 2014, altura em que foi para a política, era sócio de uma firma de advogados que terá assinado com vários funcionários públicos despedidos um contrato em que a firma receberia 12% dos seus salários caso conseguisse que estes fossem readmitidos na Função Pública. A notícia do “To Vima” fez estalar a polémica na Grécia este fim de semana, com o ministro a garantir que a notícia é “falsa” e “uma provocação”.
Segundo a notícia, contada pelo Ekathimerini e pelo GreekReporter.gr, a firma de Katrougalos (e, em alguns casos, o próprio) terão acordado com vários clientes que se conseguissem reverter os despedimentos coletivos de que foram alvo, passariam a receber parte do seu ordenado. Alguns desses contratos foram efetivados a 27 de janeiro de 2015, exatamente no dia em que Katrougalos tomou posse como um ministro com responsabilidades nesta área.
A confirmar-se a notícia, esta poderia levantar graves questões éticas, já que logo na primeira declaração pública de Katrougalos como ministro este garantiu que todos os funcionários públicos dispensados pelo governo anterior seriam readmitidos. Segundo o Ekathimerini, estão em causa cerca de 40 milhares de funcionários públicos.
Notícia “não tem substância”, garante o ministro
Giorgos Katrougalos deu uma conferência de imprensa em reação à polémica que se instalou e, negando todas as alegações, considerou a notícia “sem substância, falsa, covarde e mentirosa”. O responsável explicou que deixou essa firma de advogados em junho de 2014, depois de ter sido eleito para eurodeputado nas eleições para o Parlamento Europeu, e que também nessa altura fundou uma nova firma. Já em janeiro, abandonou a advocacia, garante, tendo assumido este importante cargo no governo de Alexis Tsipras.
O ministro-adjunto confirmou que o governo (maioritário, em coligação) vai propor um projeto de lei a readmitir todos os funcionários públicos que foram despedidos. Mas garante que, já não estando na firma de advogados, não terá direito a receber, pessoalmente, qualquer ganho monetário. As acusações são, por isso, infundadas, asseverou. Katrougalos garantiu, contudo, que deixará o governo – e o país – se se provar que as alegações têm sequer um fundo de verdade.
Governo diz que notícia tem quatro mentiras e uma verdade
O governo liderado por Alexis Tsipras também não perdeu tempo e reagiu com um comunicado oficial em que diz que a notícia contém quatro mentiras e uma verdade. O governo sublinha que Katrougalos não foi eleito nas listas do Syriza para o parlamento em janeiro, já que era eurodeputado. Em segundo lugar, o governo questiona como seria possível que as pessoas que assinaram os contratos soubessem que Katrougalos ia ser nomeado ministro desta área, efetivando os contratos antes de este tomar posse.
Em terceiro, o governo sublinha que os contratos foram assinados antes de Katrougalos se tornar eurodeputado e apenas assinou, pessoalmente, contratos com cerca de 20 seguranças de escola pública em que a compensação pelos seus serviços seria metade de um ordenado de um mês. Uma quantia, afirma o governo, que no seu total (os 20 funcionários) não chega a um mês de ordenado como eurodeputado.
Por último, o governo assinala que o documento citado pelo jornal “To Vima” se referia a um caso de um trabalhador da Base Naval de Salamis que tinha uma disputa salarial com o patrão, pelo que isso não tem nada a ver com dispensas na Função Pública.
A única verdade, argumenta o governo, é que depois da sua nomeação, Katrougalos convocou uma reunião aberta com funcionários públicos dispensados para lhes anunciar que seriam readmitidos, sem que tenha havido qualquer reunião privada com qualquer funcionário público. A reunião aberta foi, de resto, transmitida pelas televisões, recorda o governo.