É muita bola a entrar nas balizas, muitos remates bem-feitos e, aqui é que está o sublinhado, muita barriga cheia com golos. Basta comparar as coisas e ver o que os dragões fizeram numa manita de jogos o que outras seis equipas não conseguiram fazer em 27 — o FC Porto conseguiu pela quinta vez esta temporada marcar cinco golos a um adversário no campeonato. Lembrando a tabuada, 5×5 é igual a 25 e esse resultado diz que, só em cinco encontros, a equipa de Julen Lopetegui marcou mais vezes do que o Moreirense, o Boavista, a Académica, o Vitória de Setúbal, o Arouca e o Gil Vicente fizeram, até agora, no campeonato.

Foi a terceira vez que marcou cinco golos em casa, agora com o Estoril como visita. Desde 1995/1996 que não marcava cinco golos a tanta gente. E agora fê-lo com Ricardo Quaresma a servir de craque, já sem as fintas, bailaricos e trivelas porque sim de antigamente, mas com mais tino e sapiência nos momentos em que deve cruzar, driblar ou rematar. O português mostrou que, aos 31 anos, está maduro e com mais cabeça para pensar no que tem de fazer. Ele e Jonas, o brasileiro que está com a mesma idade contada e não para de provar que o Benfica fez bem em pescar um avançado que fora atirado ao mar por Nuno Espírito Santo, que o dispensou do Valência.

O brasileiro vai com 22 golos marcados numa época que, para ele, arrancou a 5 de outubro. Na liga leva 12 e os dois últimos apareceram contra o Nacional da Madeira, ambos no último pontapé que o avançado deu em jogadas das rápidas, ao primeiro toque e com muitos jogadores a participarem. Nunca Jonas marcara tanto desde que, em janeiro de 2011, aterrou na Europa, vindo de um Grémio de Porto Alegre onde se habituara a faturar — ainda é dele o recorde de mais golos marcados (23) numa época pelo clube, no Brasileirão. Com o Benfica a vencer e o FC Porto a imitá-lo, tudo continua igual e, para já, três pontos separam o 1.º do 2.º a três jornadas de se encontrarem na Luz (26 de abril).

Mais longe está o Braga, em 4.º, que três jogos depois conseguiu voltar a ganhar com a ajuda de dois golos de Zé Luís, um cabo-verdiano que já vai com oito no campeonato e que, felizmente para a seleção nacional, não esteve no jogo contra Portugal, a meio da passada semana. E o rival do Minho fez o mesmo — três jornadas volvidas, regressou às vitórias. Tudo graças a um golo de Moreno, o graúdo de 33 anos que já não jogava desde o final de fevereiro numa equipa de novatos que, em 2015, ainda só venceu cinco partidas.

Quem não fez o que lhe competia, como disse Marco Silva, foi o Sporting, que falhou todas as oportunidades que teve para marcar mais de um golo ao Paços de Ferreira. Só o fez uma vez e colocou-se a jeito para a equipa de Paulo Fonseca empatar e obrigar os leões a atrasarem-se, outra vez, na corrida pelo terceiro lugar. Ficaram a oito pontos e, por este andar, terão de se contentar em fechar o pódio e lutar pela conquista da Taça de Portugal. “Falhámos golos de baliza aberta”, lamentou o treinador, no final do nono empate da equipa no campeonato — entre os sete primeiros, só o Belenenses empatou tanto.

Assim, fica difícil.

Como difícil está a relação entre os árbitros e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Os homens do apito entregaram um pedido de dispensa que, por outras palavras, é uma ameaça de boicote às últimas cinco jornadas do campeonato. Ou seja, há o risco de o Benfica-FC Porto se realizar com um árbitro vindo das distritais ou até mesmo do estrangeiro. Ou não, porque Olegário Benquerença não alinhou neste pedido e, em teoria, continuará à disposição da Liga de Clubes.

“Ambição todos nós temos. Temos a ambição de sermos campeões nacionais, mas é preciso olhar para a realidade e olhar para a classificação.” A afirmação é de Jorge Simão, treinador que desde 17 de março toma conta dos homens que jogam no Belenenses. A frase apareceu no final do 2-0 imposto ao Moreirense que manteve os azuis a quatro pontos do quinto posto e da Liga Europa.

O técnico falou em ambição pouco antes de falar na SAD do clube, devido ao afastamento, sabe-se lá porquê, de Rodrigo Dantas e Tikito dos treinos, por decisão de Rui Pedro Soares. Ou seja, mais confusão com a SAD do Belenenses. Esta apareceu depois de muito pouco, ou nada, se ter sabido quando Lito Vidigal, que salvara o clube da despromoção na época passada — e, nesta, o pusera a lutar pela qualificação para as provas da UEFA –, ter saído. E também após a polémica que, na altura, tirou Deyverson e Miguel Rosa, ex-jogadores do Benfica, do encontro contra a equipa da Luz.

Académica 0-0 Rio Ave
Vitória de Guimarães 1-0 Arouca
Gil Vicente 0-2 Sporting de Braga
Penafiel 2-2 Boavista
Benfica 3-1 Nacional da Madeira
Belenenses 2-0 Moreirense
Paços de Ferreira 1-1 Sporting
Marítimo 1-1 Vitória de Setúbal
FC Porto 5-0 Estoril Praia

O Paços versão Paulo Fonseca voltou a chatear o Sporting e, até hoje, nunca os leões conseguiram vencer a equipa do Capital do Móvel nos quatro jogos que realizaram (os dois desta temporada, mais os que fizeram em 2012/2013). Não está fácil. Muito menos para o Gil Vicente, que voltou a perder e parece não querer de deixar de fazer companhia ao Penafiel — ambos continuam a ocupar os lugares assinalados a vermelho. Os que dão direito a passar a próxima época na segunda liga.