As visitas à terra do choco frito não são fáceis. Nunca foram: em 66 idas ao Bonfim, o Sporting perdera 17 vezes e empatara noutras 19 ocasiões — 30 vitórias. Mais grave era o passado recente, que se traduzia em duas derrotas (0-1 e 1-2 em 2012) e um empate (2-2 em 2014). A última vitória leonina remontava assim a uma noite fria de dezembro de 2010. Num fim de tarde ameno de abril, com o sol ainda a aquecer a relva durante a primeira parte, os leões voltaram a sorrir em Setúbal, cortesia de Carlos Mané e de um tal de Tanaka (2-1); Suk marcou para os sadinos, com muita pinta.
VITÓRIA DE SETÚBAL: L.Raeder, Pedro Queirós, F. Venâncio, Miguel Lourenço, Hélder Cabral, Paulo Tavares, Dani, Schmidt, Advíncula, Zequinha, Suk
SPORTING: R. Patrício, M. Lopes, P. Oliveira, Ewerton, Jefferson, Adrien, Rosell, João Mário, Carrillo, Carlos Mané, Tanaka
Antes da escolha de palavras para descrever o killer instinct de Tanaka, a defesa inacreditável de Raeder e o belíssimo golo à craque de Suk, é importante começar pelo onze do Sporting. Nani estava ausente: falhava assim o 16.º jogo em 46 possíveis. William Carvalho e Slimani ficaram no banco, provavelmente porque sofreram nas pernas a conquista da passagem ao Jamor. Cédric não foi sequer convocado. Alguma imprensa e comentadores sugerem que poderá ter a ver com o impasse na renovação do contrato do lateral. Será?
Dito isto, Rosell fez de William. Na frente, nem Slimani nem Montero, nem os dois juntos, foi Tanaka o escolhido (e em boa hora). Carlos Mané entrou na equipa titular para fazer esquecer Nani, algo que não tem sido assim tão complicado de fazer. “Prrrrri”, rola a bola no Estádio do Bonfim.
#VFCxSCP: Tanaka é titular apenas pela 2.ª vez no campeonato. Marcou na anterior vez que foi titular na Liga (Gil Vicente, V 2×0).
— Playmaker (@playmaker_PT) April 12, 2015
#VFCxSCP: W. Carvalho é suplente pela 1.ª vez em 2 anos em jogos do campeonato. #playmaker #PrimeiraLiga
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O Vitória entrou muito bem. A equipa de Bruno Ribeiro estava agressiva, intensa, concentrada e com vontade de se aventurar na frente. Foram dez minutos de grande qualidade. O Sporting entrou encolhido e mole. Schmidt foi o primeiro a tentar balançar as redes da baliza de Rui Patrício. O guarda-redes do Sporting resolveu tranquilamente.
Os visitantes, que esta noite vestiam de amarelo, responderam com uma bela jogada, com uma simulação pelo meio e tudo. João Mário rematou à figura de Raeder, um homem que o ano passado foi suplente de Manuel Neuer no Bayern Munique de Guardiola e que até chegou a jogar na Bundesliga.
Os rapazes de Marco Silva melhorariam e à passagem do minuto 20 começariam a ter mais bola, mais controlo, fariam mais passes curtos e variações de flanco para estender a teia sadina. Faltava um senhor chamado Slimani para saltar entre os centrais e colar a testa à bola com aquela pujança do costume.
A equipa da casa começaria a encolher, parecia que alguém tinha afastado uma das balizas para alongar o campo. As pernas já se iam queixando, o discernimento já gritava. Já não havia o envolvimento no contra-ataque que se viu nos primeiros dez minutos. Tudo isto graças à injeção de agressividade dos rivais.
Aos 29′ aconteceu um dos momentos do jogo. E que momento, senhores. Canto para o Sporting, cabeçada de Paulo Oliveira, que prometia colar-se às redes sem hesitação. Num primeiro momento, Raeder parecia estar fora do lance, mas acabou por dar um passo ao lado e esticou o braço, empurrando a bola para a barra. O alemão, natural de Essen, levantou-se rapidamente e ainda agarrou a tentativa de recarga. Este garoto de 21 anos tem 1.94m. Não é brincadeira nenhuma, hein?
Havia mais Sporting, mas nem por isso muitas ideias boas, nem um plano espetacular para enganar os vitorianos. Mas os golos chegariam, já muito perto do intervalo. Primeiro foi Carlos Mané, com um cabeceamento a fazer lembrar João Vieira Pinto, a passe de Miguel Lopes — o lateral assinou uma exibição sólida, muito presente no ataque e competente atrás. Depois foi Tanaka, que aproveitou um corte defeituoso de Hélder Cabral para chutar com a canhota a meia altura. Mais um belo golo do japonês. Às vezes parece ter algumas limitações, não tem a dimensão de Slimani nem Montero, mas quando lhe dão oportunidade lá vai mostrando uns dotes de goleador.
#VFCxSCP: O SCP venceu os 5 jogos anteriores em que Tanaka marcou. #playmaker #PrimeiraLiga
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A segunda parte seria um rebuliço. Aos 47′, Suk arrancou a toda a velocidade, trocou os olhos a Paulo Oliveira já na área, desviou com o pé direito de Rui Patrício e encostou com o esquerdo, 2-1. O sul-coreano tem 1.90m mas não é tosco nenhum. Que grande golo.
#VFCxSCP: O golo de Suk foi o 100.º marcado pelos sadinos em casa contra o SCP (todas as provas). #playmaker #PrimeiraLiga
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#VFCxSCP: Suk Hyun-Jun marca pela 2.ª vez ao SCP. O seu 1.º golo em Portugal foi contra os leões, pelo Marítimo, em fevereiro 2013.
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Com meia hora para jogar, Venâncio embrulhou-se com Ewerton e levou o segundo amarelo. O central do Vitória caiu e esticou as pernas, atingindo o central brasileiro do Sporting, que também acabaria por reagir (levou cartão amarelo). Dois minutos depois, no que parecia ser uma clássica compensação, depois de um lance nada de especial, o árbitro mostrou o segundo amarelo a Ewerton, que ficou incrédulo. Marco Silva sacou do relvado João Mário e lançou o jovem Tobias Figueiredo. Estas mudanças no eixo central da defesa do Sporting é coisa para dar um filme ou um livro. No início era Sarr e Maurício, lembra-se? Onde é que isso já vai…
#VFCxSCP: Top equipas com + expulsões:
-V.SETÙBAL:12
-Boavista:11
-SCP e Penafiel:9
– #playmaker #PrimeiraLiga— Playmaker (@playmaker_PT) April 12, 2015
Raeder, quem sabe inspirado pela vinda de Pep Guardiola a Portugal para o FC Porto-Bayern Munique, voltou a encher a baliza e deu espetáculo (72′). Carrillo, que assinava o jogo 150 pelo Sporting, chutou de longe, com muita força, e o alemão voou e esticou a mão menos provável. Foi uma clássica defesa para a fotografia, mas nem por isso fácil.
Um contra-ataque no último suspiro, mal finalizado por Lupeta, deixou os cabelos dos sportinguistas em pé. É quase incompreensível como uma equipa em vantagem, melhor e mais experiente, deixa-se surpreender assim já muito perto do último apito. Ponto final em Setúbal: matou-se o (mini) borrego. Segundo a conta de Twitter “Playmaker Stats”, associada ao site Zerozero, é a primeira vez na história do futebol português que dois asiáticos marcam num jogo. A façanha foi conseguida pela dupla Suk-Tanaka, autores de dois bons golos. O Sporting responde à goleada do Sp. Braga (4-0 vs. Penafiel) e volta a aumentar para sete pontos a distância para os minhotos.
Pergunta para quejinho: lembra-se da última vez que os leões venceram por 2-1 em Setúbal? Não? Foi em fevereiro de 2006 e Bruno Ribeiro, atual treinador dos sadinos, até foi titular pelo Vitória. Carlos Martins e João Moutinho marcaram primeiro, a resposta chegou por Carlitos, de penálti. Os treinadores eram Paulo Bento e Hélio Sousa.