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O Spotify está à procura de mais capital. A operação e financiamento poderá valorizar o maior site de streaming em oito mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros), segundo números avançados por pessoas próximas do processo, citadas pela Bloomberg. Esta valorização representa o dobro do valor atribuído à companhia da última vez que foi ao mercado, em novembro de 2013.

Nesta operação, onde participam a Goldman Sachs e o fundo soberano do Abu Dhabi, o Spotify pretende angariar 400 milhões de dólares (377 milhões de euros), de acordo com o Wall Street Journal. O esforço insere-se na estratégia da empresa de construir um serviço global de música por subscrição antes dos gigantes Apple e Google que estão também cobiçar este mercado. O Spotify tem mais de 60 milhões de utilizadores, um quarto dos quais paga 9,99 dólares (9,4 euros) por mês para ter acesso a música sem publicidade.

A plataforma de música está em vias de enfrentar um novo desafio por parte da empresa da maçã. A Apple está a relançar o serviço de música de subscrição que comprou por três mil milhões de dólares à Beats Eletronic. A empresa pediu à artista de rock britânica, Florence and the Machine, bem como a outros músicos, para assinarem contratos de exclusividade para promover o seu novo serviço que vai custar também 9,99 dólares por mês, mas sem níveis de acesso grátis.

A Apple, que é maior distribuidora de música no retalho, está a apostar no streaming (transmissão online de música) para contrariar a queda de vendas no iTunes (loja de downloads pagos). A aposta no streaming é também partilhada por alguns artistas, o rapper Jay Z e a cantora americana Alicia Keys são investidores do Tidal, um serviço alternativo de streaming de música.

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Tal como a Pandora Media, uma empresa cotada que vale 3,5 mil milhões de dólares, o Spotify entrega uma percentagem significativa da sua receita às editoras de música e distribuidoras pelo direito de comercializar conteúdos aos seus associados.

Com as vendas de CD e os downloads digitais (pagos) em declínio, as maiores editoras como a Vivendi Universal Music, a Sony e a Access Industries’ Warner Music Group, vêm no streaming (audição online) a chave para o crescimento futuro. Apesar das grandes editoras controlarem uma participação na empresa de música por subscrição, têm-se queixado de retorno financeiro do seu investimento, e exigido maiores restrições nos serviços grátis da plataforma.

O Spotify tem resistido com o argumento de que um serviço gratuito apelativo é a maneira mais eficaz de atrair clientes aos segmentos cobrados. Os ouvintes têm de ter uma subscrição para garantirem o acesso à oferta total a partir do telemóvel, computador ou tablet.

A política de livre acesso seletivo do Spotify não é apenas criticada pelas companhias. A cantora americana Taylor Swift retirou todo o seu catálogo do site depois deste recusar restringir a divulgação do seu novo álbum, 1989, aos serviços pagos.