“Quão aborrecido seria se fossemos todas iguais?” A pergunta é feita por uma manequim num vídeo a preto e branco, onde seis mulheres em lingerie mostram orgulhosamente as suas curvas. O anúncio pertence à empresa norte-americana Lane Bryant, que comercializa tamanhos grandes de lingerie, e tem como objetivo redefinir o conceito do que é ser sexy, no feminino. A campanha, batizada #I’mNoAngel, pretende divulgar uma nova linha de roupa interior — Cacique Intimates — e destronar os ideais de beleza associados a marcas que usam de forma recorrente modelos magras para promover os seus produtos, entre elas os famosos anjos (Angels) da Victoria’s Secret.

A campanha alega, então, que as mulheres que usam Cacique sabem que é possível serem sexy mesmo quando não têm medidas perfeitas. São sexy de todas as formas e todos os tamanhos. A marca convida ainda mulheres a publicar testemunhos pessoais nas redes sociais com a hashtag #ImNoAngel — numa óbvia referência à marca norte-americana Victoria’s Secret, que tem entre os seus “anjos” as modelos Alessandra Ambrósio, Adriana Lima ou Sara Sampaio, entre outras.

Foi há cerca de cinco meses que a Victoria’s Secret divulgou uma campanha polémica, completamente contrária à #ImNoAngel. A publicidade consistia em mostrar uma imagem com mulheres magras e altas, todas a usar lingerie, e com a legenda “The Perfect Body” (“O Corpo Perfeito”, em português). Foi o suficiente para que a internet se insurgisse contra a marca, tendo a contestação inundado as redes sociais. Isto sem esquecer a petição pública que foi criada para que a empresa pedisse desculpas publicamente — a petição angariou mais de 30 mil assinaturas mas a Victoria’s Secret acabou por mudar, discretamente, apenas a estratégia publicitária.

https://twitter.com/not_ur_fuckgirl/status/585880286866628608

O certo é que o vídeo da #ImNoAngel, que junta Ashley Graham (já fez editoriais para a Vogue), Justine Legault, Elly Mayday, Marquita Pring, Candice Huffine (apareceu no calendário Pirelli deste ano) e Victoria Lee está a reanimar o debate sobre a sensualidade e as curvas femininas. A Quartz, por exemplo, escreve que a “poderosa” campanha da Lane Bryant está a fazer com que a Victoria’s Secret pareça desatualizada, enquanto o site Fashionista alega que a empresa quer mudar a conversa sobre modelos plus-size, muito por responsabilidade da sua CEO, Linda Heasley.

https://www.youtube.com/watch?t=51&v=7DdM-4siaQw

Ainda na semana passada outro anúncio do género foi tornado público. A Dove, marca de produtos de cosmética detida pela Unilever, lançou um anúncio que, à semelhança do protagonizado pelas seis modelos mais curvilíneas, quer discutir a ideia do que é ser belo — neste caso, bela. No vídeo é possível ver mulheres reais em vários países a serem confrontadas com uma escolha: passar pela porta que diz “Bonita” ou pela que diz “Na média” (Beautiful e Average, em inglês). Apesar da iniciativa, alguns meios de comunicação, como o Telegraph ou o Washington Post, levantam dúvidas quanto à mensagem em causa. E não são os únicos. Basta ler algumas críticas como estas:

https://twitter.com/andreazburnalz/status/586049273441157120