“Enquanto 007, Daniel Craig tinha ‘licença para matar’. Agora damos-lhe ‘licença para salvar'”, disse na terça-feira o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon no momento em que nomeou o ator, que desde há quase uma década protagoniza o famoso agente especial James Bond no cinema, para uma missão muito especial. E da vida real: a de representante mundial contra as minas terrestres durante os próximos três anos.

Da ficção para a realidade, desta vez os papéis invertem-se e não é Bond, James Bond, quem estará a cargo de fazer explodir coisas. Os trocadilhos são inevitáveis e permitem aligeirar um assunto que, pela seriedade da situação, levou o líder das Nações Unidas a designar um defensor público para a causa, que visa acabar com a utilização de minas terrestres e de explosivos remanescentes da guerra.

A nomeação de Craig enquanto defensor internacional desta causa fez parte de um conjunto de eventos organizados pela ONU para marcar o 10º aniversário do dia internacional de sensibilização para as minas.

“Eu sou o oitavo secretário-geral da ONU, por isso sou o 008. O que significa que lhe estou a dar este mandato como uma licença para salvar”, disse Ban Ki-moon.

O anúncio foi feito numa pequena cerimónia na sede da ONU, em Nova Iorque, onde, segundo o jornal britânico The Telegraph, Ban Ki-moon agradeceu, com bom humor, a Daniel Craig pelo seu empenho e compromisso para concentrar as atenções num mundo livre de minas.

“Eu, como os espetadores de cinema de todo o mundo, tenho estado confortavelmente sentado no meu lugar a ver o senhor Craig, enquanto James Bond, a desativar bombas no último segundo possível. Agora, estou ainda mais entusiasmado pelo facto de ter aceitado usar os seus poderes de estrela para desviar as atenções para a causa nobre da destruição de minas terrestres”, disse Ki-moon.

O ator recebeu o mandato garantindo empenho máximo na missão e lembrando um episódio que o marcou quando filmava no Cambodja, na pele de James Bond. “Havia muitas e muitas crianças à nossa volta e, se eu estava com medo, consigo imaginar o que sentem os pais daquelas crianças”, disse, acrescentando a dificuldade que é recomeçar o dia- a-dia depois da destruição.

E apelou ao aumento do apoio político e financeiro para a causa, porque os casos são muitos e devem ser encarados como um todo. “O uso de dispositivos explosivos improvisados no Iraque, na Somália, no Mali, o uso generalizado de bombas na Síria, a contaminação de minas terrestres na Colômbia, no Afeganistão e no Cambodja, tudo isto deve ser abordado em simultâneo. Há muito trabalho pela frente. Mas para isso a ONU precisa de apoio político e financeiro para ser bem-sucedida na missão”, disse.

Craig junta-se assim a nomes como Angelina Jolie, que é a enviada especial da ONU para os refugiados, a Leonardo DiCaprio, nomeado no ano passado como mensageiro para a paz, ou Emma Watson, designada embaixadora da boa vontade pela organização das Mulheres das Nações Unidas.