A cidade francesa de Montpellier é palco, esta quinta-feira, dia 30 de abril, de um “encontro literário” em torno de Fernando Pessoa, num evento que visa “preparar o público” para o festival “La Comédie du Livre”, disse à Lusa fonte da organização.

A 30.ª edição de “La Comédie du Livre” terá lugar nos dias 29, 30 e 31 de maio e tem por objetivo juntar mais de 30 escritores e ilustradores espanhóis e portugueses, entre os quais Nuno Júdice, José Luís Peixoto, Pedro Rosa Mendes, Gonçalo M. Tavares, David Machado e João Tordo.

“Os encontros literários pretendem preparar o público para ‘La Comédie du Livre’, ao propor conversas sobre o património clássico das literaturas homenageadas”, disse à Lusa Clémence Tafforin, assistente de programação da associação Coeur des Livres.

Desde janeiro, a associação organizou debates em torno das literaturas ibéricas, nomeadamente sobre os autores portugueses José Saramago e Luís de Camões, mas também sobre o espanhol Miguel de Cervantes.

Clémence Tafforin precisou que o objetivo é fazer descobrir estes autores ao público francês, o qual conhece, por exemplo, “o nome de Fernando Pessoa”, mas desconhece que “ele tinha 72 heterónimos ou que escreveu em géneros literários muito variados”.

Para falar sobre Fernando Pessoa, a associação convidou o encenador francês Stanislas Grassian, autor de “Mystère Pessoa, mort d’un heteronyme”, a peça de teatro que levou a palco, pela primeira vez, em novembro de 2011.

Para marcar os 30 anos do festival literário “La Comédie du Livre”, a cidade de Montpellier – em colaboração com a associação Coeur des Livres – organizou três dias de debates, ateliers e exposições em torno da “nova geração de escritores ibéricos”, incluindo os portugueses que “são ainda pouco conhecidos em França”, disse à Lusa o diretor literário do festival, Régis Pénalva.

“Para esta edição, escolhemos as literaturas ibéricas, porque fazemos 30 anos e é um aniversário importante, tanto para o festival quanto para Montpellier, que é uma cidade mediterrânica, orientada para os países do sul. Por outro lado, homenageamos as literaturas do sul da Europa, porque temos uma importante comunidade hispânica e lusófona em Montpellier”, explicou Régis Pénalva.