O Governo da Venezuela decidiu esta terça-feira racionar o consumo de energia elétrica através de um “plano de poupança” que vai ser lançado para o setor público e privado. A iniciativa foi proposta pelo vice-primeiro ministro, Jorge Arreaza, e pelo ministro da Energia Elétrica, Jesse Chacón e foi justificado com o aumento das temperaturas em quase todo o país, que fez o consumo energético disparar, escreve o jornal espanhol El País. No estado petrolífero de Zulia, um dos 23 estados da Venezuela, as temperaturas chegaram aos 36ºC, com uma sensação térmica de 44ºC.

É de notar que nem Jorge Arreaza, nem Jesse Chacón, utilizaram a expressão “racionamento” para se referirem ao novo plano de poupança. Isto deve-se à conotação negativa da prática associada a regimes comunistas. Contudo, segundo o jornal espanhol, “não há outra forma de explicar” a medida.

Enquanto o plano estiver em vigor, as repartições públicas e privadas irão funcionar durante seis horas consecutivas (das sete e meia da manhã à uma e meia da tarde). Esta é uma das medidas que o novo plano de “racionamento” vem implementar. O Governo também pediu a empresas privadas que, durante certo período do dia, gerassem a sua própria energia. Relativamente aos particulares, foi requisitado que regulassem a temperatura dos ar condicionados para 22ºC.

Para garantir o cumprimento das medidas associadas ao plano que visa reduzir o consumo energético em 20%, o Governo de Nicolás Maduro reinstituiu uma resolução de junho de 2011 que sanciona quem não cumpra as novas regras.

Em 2007, o regime venezuelano privatizou as empresas de energia elétrica fazendo com que a oferta diminuísse significativamente. Desde essa altura que são mais frequentes os cortes energéticos e os pedidos para que a população reduza o consumo de energia.