A moda das campanhas de crowdfunding está a crescer e a dos wearables também. Um dos mais recentes resultados da junção das duas febres é o CH4, um dispositivo que monitoriza a flatulência. Mas para quê?

Segundo o site CNET, o projeto está a ser desenvolvido por Rodrigo Narciso, um ex-aluno de comunicações interativas da Universidade de Nova Iorque (EUA) e, até ao momento, já angariou 2.714 dólares dos 180.000 pedidos no Kickstarter. De acordo com a plataforma, 56 pessoas já apoiaram o projeto de Narciso.

Não há melhor forma de descrever o CH4 do que a utilizada pelo próprio site CNET: é “um wearable que cheira os seus gases”, não fosse CH4 a fórmula química do gás metano. Trata-se de um dispositivo que promete monitorizar a flatulência e — através de uma aplicação móvel, claro — sugerir mudanças na dieta do utilizador.

O CH4 não é tão intrusivo como esta nano-pílula que deteta e reporta os gases diretamente da fonte. Basta que se prenda o aparelho no cinto ou no bolso traseiro das calças para obter — no smartphone ou tablet — conselhos sobre como reduzir a flatulência… e um registo mais ou menos preciso de quantas vezes “expeliu gases” ao longo do dia.

Protótipo do dispositivo. CH4/Kickstarter

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Mas o projeto de Rodrigo Narciso poderá não sair do papel. De acordo com o Kickstarter, Narciso tem de angariar os restantes 177.408 dólares até dia 12 de maio, ou os fundos angariados serão restituídos aos utilizadores. Mas, como o próprio refere na plataforma, a equipa “está nas primeiras fases do projeto”: “nós construímos o circuito, interligámos o sensor com um módulo Bluetooth Low Energy e escrevemos o algoritmo que deteta os gases no circuito”, acrescenta. Também já “iniciámos o desenvolvimento das aplicações que receberão os dados do sensor” e “criámos um protótipo que mantém perfeitamente tudo em conjunto”.

Circuito eletrónico do CH4. CH4/Kickstarter

A equipa planeia lançar uma aplicação para iPhone em conjunto com o CH4 na data de lançamento do dispositivo. Depois disso, farão “todos os esforços para desenvolver uma aplicação para Android”.

Aplicação do CH4 para iPhone. CH4/Kickstarter

“Porque é que eu me devo importar com isto?”

São os próprios mentores do projeto a colocar a questão. Porquê? Porque é que as pessoas se devem importar com os gases que libertam?

Segundo os criadores, “em média, uma pessoa expele gases 13 vezes por dia em condições normais”. E existem vários problemas relacionados com os gases que libertamos: “dor abdominal”, “desconforto” e, sobretudo, “situações sociais embaraçosas” são alguns deles.

Mas nem tudo é mau quando se fala de gases. Um estudo da Universidade de Exeter, na Inglaterra, sugere que o sulfato de hidrogénio presente no cheiro dos gases intestinais e, por exemplo, nos ovos podres, reduz o risco de cancro, ataque cardíaco, AVC, artrite e demência. O sulfato de hidrogénio protege as mitocôndrias presentes nas células, ou seja, indiretamente também protege as próprias células.

Por fim, o CH4 é fácil de usar: basta ligar e meter no bolso. Por isso, num mundo de diversidade, em que as pessoas ingerem os mais variados tipos de alimentos, o CH4 deteta e informa quais os alimentos que provocam gases. Poderá ser a próxima tendência do mercado dos wearables. Ou então não.