Vamos lá fazer o sumário da matéria dada. Lição número um: Lionel Andrés Messi Cutticini nasceu há 27 anos na Argentina. Daí se partiu até à segunda lição: este pequenote, que em altura só cresceu até aos 1,69 metros, foi-se agigantando com o tempo e provando que só está bem se tiver uma bola encostada ao pé canhoto. E assim chegamos à terceira lição que serve para contrariar a primeira: Lionel Messi é um grande extraterrestre que desde 1987 se esconde no corpo de um pequeno homem. Há muita malta com jeito para jogar à bola, mas “jeito” é um adjetivo que não chega para descrever o que a bola faz quando é Messi a mandá-la fazer.

E o que não faltam são as provas, porque Messi já deu bastantes — além das quatro Bolas de Ouro que guarda lá em casa, o canhoto marcou 365 golos nos últimos 365 jogos pelo Barcelona. Por isso não havia nada a provar nesta quarta-feira, quando o Bayern de Munique de Pep Guardiola, o homem que mais coisas ensinou a Messi sobre este jogo de humanos, foi a Camp Nou jogar as meias-finais da Liga dos Campeões. “Se estiver inspirado é impossível para-lo”, dizia o treinador, antes do jogo, sobre o argentino. Tinha razão, porque não houve vivalma que conseguisse impedir o argentino de fazer o que lhe apetecia.

Mas houve quem o tentasse. Jérôme Boateng é defesa, é alemão e está habituado a impedir que os adversários tentem fazer mal à baliza que está atrás de si. Por isso, quando a bola chegou a Lionel Messi e o argentino já estava dentro da área, lá foi ele mostrar o sinal de “stop” ao número 10 do Barça. Correu mal. A bola estava coladinha ao pé esquerdo de Messi e Boateng terá pensado — este vai fazer o que quase sempre faz, vai levar a bola para o meio e colocá-la a jeito para a rematar com o pé esquerdo. Durante meio segundo até parecia. Messi correu, levou a bola, inclinou-a para o meio e Boateng rodou o corpo, pensando que ia apanhar o argentino na ratoeira.

O problema foi o que se passou no resto desse meio segundo. Assim que o defesa do Bayern se virou, o craque do Barça voltou a mudar de direção, tão rápido que nem dá tempo para o descrever nem deixou que Boateng se mantivesse de pé: o gigante alemão tombou, estatelou-se no relvado e Messi seguiu para a baliza, onde estava outro grandalhão para enganar. E enganou-o bem: Manuel Neuer, o guarda-rede, saiu-lhe aos pés e Lionel, com um toque de pé direito, picou-lhe a bola por cima da cabeça. Golo e a internet a reagir. Não tanto ao golaço, mas à queda de Jérôme Boateng.

Mais do que os dois golos de Lionel Messi e a assistência que fez para o terceiro, houve muita gente a focar-se no que o argentino fez ao alemão. Não demoraram a aparecer os vines, os vídeos de seis segundos que se repetem, continuamente, ou os memes, imagens que contam com frases curtas. Umas mostravam Boateng a cair em buracos, outras a mergulhar para piscinas ou até a levar um murro de Manny Pacquiao, o filipino que, no último fim de semana, lutou no combate do século. Apareceram mais coisas a gozar com o azar do alemão do que a elogiar a sorte do argentino.

Lionel Messi não reagiu a nada e apenas disse: “Fizemos um belo jogo, mas ainda não conseguimos nada. Faltam 90 minutos muito complicados em Munique, temos que estar preparados.” Tem razão, ainda falta jogar a segunda mão, na próxima semana, mas o Barça visitará o Bayern com uma vantagem de 3-0 e já com um pé a pisar a final da Liga dos Campeões, que se realizará em Berlim. É o que acontece quando de um lado há um extraterrestre a puxar por 10 humanos e, do outro, estão 11 homens a puxar uns pelos outros. Os primeiros costumam ganhar.