O caso foi acompanhado com interesse pela comunicação social e o processo, considerado urgente, foi concluído em poucos meses. Na sua origem estava um vídeo publicado no Facebook em maio de 2011, que mostrava uma jovem de 13 anos a ser violentamente agredida por outras duas, de 15 e 16.

O incidente aconteceu a 23 de maio, perto do Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Os agressores eram alunos na Escola Alberto Neto, em Queluz, e acusavam a vítima, Filipa, de ter feito um comentário insultuoso. De acordo com os relatos, Filipa teria dito que a mãe de Rodrigo, autor do vídeo e um dos principais arguidos do processo, era prostituta. Perante o tribunal do Campus de Lisboa, a jovem apresentou uma outra versão dos factos. À mãe de Rodrigo disse apenas ter chamado stripper, um facto que referiu ser conhecido por todos.

A PSP iniciou rapidamente uma investigação, com o apoio do Ministério Público. O processo foi considerado urgente e o inquérito concluído em plenas férias judiciais. Mas, enquanto se aguardava pelo desenrolar do processo, outras queixas começaram a surgir. Outros crimes de violência e roubo, cometidos pelas duas agressoras, vieram a público. Um desses aconteceu no mesmo dia da agressão de Filipa. O outro, dois dias depois.

Concluído o julgamento, a lei ditou um destino diferente a cada um dos arguidos. Em julho de 2011, o Tribunal de Família e Menores de Loures decidiu internar a agressora de 15 anos num centro educativo, ao abrigo da Lei Tutelar Educativa. Dos outros seis suspeitos, apenas um foi absolvido.

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Os restantes, julgados ao ao abrigo do Código Penal, foram condenados a penas entre dois anos e nove meses de cadeia. A rapariga de 16 anos foi a mais penalizada. Na última sessão do julgamento disse estar arrependida e garantiu que nada daquilo tinha sido premeditado. As penas acabaram por ser suspensas em troca de trabalho voluntário em associações contra o crime violento, e sob a promessa de que voltariam a estudar.

Apesar da rápida atuação da PSP, as medidas aplicadas não deixaram de gerar polémica. O então bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, teceu críticas ferozes à prisão preventiva dos menores. “Estou estupefacto com esta medida da Idade Média”, disse então.