Foi comprar uma nova peça de roupa? Maravilhoso. Mas espere: antes de a vestir, já pensou por que mãos é que a peça andou antes de chegar às suas?

Uma peça de roupa pode ter sido fabricada num país, tingida noutro e cosida num terceiro. Serão pelo menos três países diferentes, cada um com leis distintas sobre os níveis permitidos de uso de produtos químicos. Por esta razão, alguns dermatologistas como Donald Belsito, da Universidade de Columbia em Nova Iorque, defendem que a roupa nova deve ser lavada, pelo menos uma vez, antes de ser estreada, escreve o Wall Street Journal. Caso contrário, quem a veste pode sofrer os efeitos nocivos dos químicos.

Ah, e dos piolhos. Espantado?

Donald Belsito, do Centro Médico da Universidade de Columbia, especializado em dermatite por contacto físico (isto é, em reações alérgicas da pele) explica que existem essencialmente duas causas para as alergias à roupa nova: tintas de anilina e resina de formaldeído.

A maioria dos tecidos são tingidos com tintas de anilina, que podem causar reações severamente adversas a quem é alérgico a este tipo de corantes. Para as restantes pessoas, apesar de as reações serem menos intensas, as tintas podem inflamar a pele ou causar irritações, explica o médico da Universidade de Columbia. As reações podem aparecer “sobretudo perto das zonas onde há fricção ou suor como a cintura, pescoço, coxas e debaixo dos braços”, afirma Donald Belsito.

As resinas de formaldeído são utilizadas para prevenir que os tecidos de algodão e poliéster fiquem enrugados e com cheiro a bolor. Na maioria dos países, o nível permitido de formaldeído é regulado pelas autoridades. Contudo, em 2010, um estudo conduzido pelo Governo dos Estados Unidos descobriu que alguns tecidos à venda excedem os níveis permitidos deste químico. Este químico pode causar dermatite alérgica e irritações. Estes dois tipos de eczemas fazem com que a pele fique escamosa e com erupções cutâneas.

O médico afirma também que, sendo que não há maneira de saber quem é que tocou na sua peça de roupa nova, é impossível saber que tipos de germes podem estar alojados na sua mais recente aquisição. Mesmo os tecidos feitos 100% de fibras naturais, podem conter fungos, piolhos, e até sarna.

“Já vi casos em que piolhos eram transmitidos por experimentar [roupa] na loja, e há certas doenças infecciosas que podem ser transmitidas através das roupas”, explica Donald Belsito. Os piolhos não conseguem sobreviver durante muito tempo sem um hospedeiro, mas tendem a adaptar-se melhor a fibras naturais do que a sintéticas.

Tendo isto em conta… é melhor lavar a roupa antes de a estrear, uma ou mesmo duas vezes. “Em termos de higiene, é uma atitude muito acertada”, conclui Donald Belsito. O médico afirma que lava sempre a roupa nova duas vezes (às vezes mesmo sem sabão, só com água). “Por ser dermatologista, já vi alguns exemplos de coisas estranhas, por isso não quero correr nenhum risco“, conta.