A maioria das redes sociais vive da publicidade. É o caso do Twitter. As marcas e empresas pagam para que os seus tweets alcancem ainda mais gente. Pessoas comuns também o podem fazer. E, ao que parece, trolls também.
Segundo o site .Mic, esta quarta-feira um tweet patrocinado a implorar às pessoas transgénero para se suicidarem terá surgido na timeline de vários utilizadores da rede social.
Why the fuck is this disgusting shit being promoted into my timeline? What the hell is going on? pic.twitter.com/ZJ4TUwI70z
— Caspar Salmon (@CasparSalmon) May 20, 2015
A mensagem teve origem numa conta a parodiar Caitlin Roper, uma feminista australiana. Roper já reagiu na sua conta oficial: “Isto representa quão longe um homem pode ir para silenciar uma mulher”, escreveu.
A copy of my twitter profile, offering sex to men on the internet. This is how far some men will go to silence women pic.twitter.com/6sCK1BA85S
— Caitlin Roper (@caitlin_roper) October 27, 2014
Apesar de o Twitter banir anúncios com conteúdo que incentive o ódio, a violência ou outros temas sensíveis, por alguma razão o tweet terá conseguido ultrapassar as barreiras impostas pelas políticas da rede social. O .Mic refere que esta é a terceira vez este mês que trolls — indivíduos que se dedicam a destabilizar discussões na internet e a provocar ou enfurecer outros utilizadores — conseguem pagar ao Twitter para disseminar mensagens do género.
Esta campanha em específico terá sido promovida por um utilizador anónimo do site “4chan”, uma plataforma irmã do fórum Reddit. Segundo o .Mic, o mesmo indivíduo também terá estado por detrás de uma outra campanha do género: uma conta a parodiar Josh Bornstein, colunista do The Guardian, patrocinou um tweet a incentivar o “extermínio” de árabes.
Ao que parece, é fácil promover conteúdo deste tipo no Twitter. O troll responsável pela campanha terá pago aproximadamente 25 dólares (pouco mais de 20 euros) por cerca de 50 “engajamentos”, ou seja, menos de 5o cêntimos por retweet, resposta ou marcação do tweet como favorito.
Contactado por uma jornalista do site Gizmodo, um porta-voz da rede social afirmou que “o Twitter não permite a promoção de conteúdo odioso, incluindo discursos odiosos contra grupos com base na orientação sexual ou género”. Os responsáveis do Twitter “pararam a campanha” e “suspenderam” as contas responsáveis, assim que as mensagens foram identificadas.