O ator Nuno Melo morreu esta terça-feira, avançou a revista Lux. O artista que deu vida à famosa personagem de “Caniço” na telenovela “Chuva na Areia” — a segunda novela portuguesa, que foi para o ar em 84 na RTP — sucumbiu a um cancro no fígado aos 55 anos. Nuno Melo trabalhou também ao lado de Herman José nos anos oitenta, no programa “Casino Royal”, e também na série ‘Camilo e Filho’, com Camilo de Oliveira.

Nuno Melo nasceu a 8 de fevereiro de 1960, em Castelo Branco. Começou a trabalhar como ator em 1981, no Teatro de Animação de Setúbal, passando depois por companhias como Teatro da Cornucópia, Teatro Aberto ou Artistas Unidos.

No cinema, o ator trabalhou com realizadores como Manoel de Oliveira, Eduardo Guerra, Edgar Pêra, João Botelho e José Nascimento.

A partir da novela “Chuva na Areia” tornou-se uma presença regular na televisão, nomeadamente em telenovelas, no trabalho com Herman José e Camilo de Oliveira.

Nos últimos tempos, o ator era também consultor imobiliário, na empresa Remax. Tinha decidido acumular a venda e arrendamento de casas ao cinema, teatro e televisão.

As reações nas redes sociais já começaram e todas enaltecem o trabalho artístico de Nuno Melo.

Há algumas semanas Nuno Melo tinha recebido alta de um internamento no hospital, mas uma febre alta obrigou-o a regressar. Embora não tenha querido falar sobre o assunto à TV 7 Dias, admitiu estar “muito cansado”. O ator aguardava um transplante.

A SOS Hepatites Portugal prestou o seu pesar pela morte de Nuno Melo: “foi uma das vítimas da hepatite C, tendo passado por uma fase em que a cura não estava tão próxima da realidade como está hoje”, recorda a instituição. O comunicado enviado à imprensa sublinha também a importância do rastreio ao fígado: “o primeiro passo tem de ser dado pelos portugueses”, já que esta é uma doença que pode não se manifestar de imediato.

Também o Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, lamentou a morte do ator e sublinhou “a sua sensibilidade artística, aliada ao talento e carisma que lhe são reconhecidos”. Barreto Xavier recorda que Nuno Melo contribuiu para “um enriquecimento e valorização das artes dramáticas portuguesas”.