Morreu Maria José Silva, o rosto da Queijaria Amaral, no Porto, e conhecida por realizar, musicar e interpretar vários filmes. Tinha 77 anos.

A realizadora queijeira faleceu no domingo, 7 de junho, no Lar do Comércio do Porto, confirmou o Observador. De acordo com uma funcionária da Queijaria Amaral, desde novembro passado que estava debilitada e atualmente já não andava. Com o falecimento do filho, “há cerca de um mês e meio”, vítima de um tumor cerebral, Maria José Silva “piorou com o desgosto e já mal comia”, acrescentou.

Nascida a 3 de agosto de 1937, na freguesia da Junqueira, Vila do Conde, era uma apaixonada por cinema. Autodidata, era uma realizadora amadora que filmou mais de uma dúzia de filmes ao longo de três décadas, sem nunca descurar o trabalho ao balcão da Queijaria Amaral, no Porto. Muitas das obras eram, aliás, filmadas no estabelecimento situado no número 190 da Rua de Santo Ildefonso.

Era também ali que vendia os DVDs das obras, que financiava do seu próprio bolso por amor ao cinema. “Gasto muito dinheiro. Há 40 anos que não vou de férias. O dinheiro que ia gastar nas férias é para estas coisas”, disse num making ofrealizado por Miguel Marques. As histórias novelescas centravam-se no amor e os personagens eram, por norma, familiares e conhecidos. É o caso de “Mulheres Traídas”:

No primeiro fim de semana de novembro, a realizadora foi homenageada com a mostra de um documentário sobre o seu processo cinematográfico na Videoteca de Lisboa, cidade em que escreveu o primeiro filme – “Os velhos não são trapos” – numa iniciativa conjunta da galeria Pickpocket Gallery e a associação cultural portuense Inculta TV, escreveu a Lusa na altura.

Maria José Silva não conseguiu conter o riso na Videoteca de Lisboa, onde foi exibido o documentário, enquanto assistiu à figura que fazia quando realizava, chegando a gritar “Silêncio! A realizadora está a falar, vocês têm de estar calados!” aos atores, ou “Aqui que manda sou eu!”, um riso que só seria abafado pelos do público que assistia ao ‘making-of’.

Até novembro, Maria José Silva falava em realizar mais um filme. Ia chamar-se “O Filho do Conde” e andaria à volta de uma menina pobre que se ia apaixonar por um conde.