246 académicos gregos ligados à Economia publicaram esta quinta-feira um manifesto que defende, de forma “inequívoca”, o voto no “sim”. Um “sim” que é um “sim” à Europa.

Neste manifesto, publicado no jornal Kathimerini, os académicos responsabilizam o governo de Alexis Tsipras por esta crise, “que não deveria ter acontecido depois de cinco anos de grandes sacrifícios do povo grego e um ajustamento orçamental tremendo”. E uma crise que surge “precisamente numa altura em que a economia estava a começar a recuperar, com expectativas favoráveis em termos de novo alívio da dívida”.

Com este manifesto, “queremos expressar a nossa grande preocupação face aos últimos desenvolvimentos no nosso país”. “Acreditamos que, neste momento crucial, é de enorme importância que se evitem excessos, que se demonstre coesão nacional, que se preserve a nossa posição na zona euro e na União Europeia, e que se reconquiste a credibilidade na comunidade internacional”.

Os subscritores pedem que a Grécia assine um acordo “com os nossos parceiros europeus e outros credores como o FMI”, que contenha “proteção social” mas que estimule a criação de emprego “no setor privado”.

Neste referendo, “o que está realmente em causa, independentemente da formulação da pergunta, é se a Grécia permanecerá, ou não, na zona euro, ou mesmo na União Europeia”. Os académicos criticam Tsipras por ter abandonado a mesa das negociações numa altura em que não havia alternativas para o financiamento do Estado e da banca, o que levou aos controlos de capitais.

“Já estamos a viver a primeira fase de um processo escorregadio que, a menos que seja urgentemente revertido, levará a um default caótico na dívida e à saída da zona euro”, dizem os académicos, que acreditam que “as consequências para o crescimento económico de tal incumprimento com a dívida e saída do euro, especialmente desta forma caótica e leviana, serão muito piores do que um compromisso doloroso com os nossos parceiros europeus e o FMI”.

Da saída da zona euro à saída da União Europeia poderá ser um passo, “o que poderá ter consequências imprevisíveis para a nossa segurança nacional e para a estabilidade democrática no nosso país”.