Cabo Verde não tem ouro, nem diamantes, nem petróleo, mas os cabo-verdianos sabem “criar e inovar”, conseguindo recriar o seu país todos os dias, sustentou neste domingo, em Coimbra, o primeiro-ministro do arquipélago, José Maria Neves.

“Não temos ouro, nem diamantes, nem petróleo, mas temos cabo-verdianas e cabo-verdianos que têm grandes capacidades de criar e de inovar” e que “têm um grande talento para criarem todos os dias Cabo Verde”, sustentou o chefe do Governo de Cabo Verde em declarações a jornalistas no Salão Nobre da Câmara de Coimbra, à margem da sessão de entrega do Prémio Literário Miguel Torga/Cidade de Coimbra ao escritor e ministro da cultura cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa.

Cabo Verde é “um país tão desprovido de recursos que temos de inventá-lo todos os dias para podermos viver lá. E só um povo com uma grande capacidade de criar pode reinventar todos os dias um país para viver”, acrescentou.

“Satisfeitíssimo” por o seu país ter “um ministro da cultura, um jovem escritor”, que conquistou o Prémio Miguel Torga, José Maria Neves afirmou que a distinção, atribuída pela Câmara de Coimbra, dará “uma nova projeção aos escritores de Cabo Verde” e “particularmente” ao premiado.

“Mário Lúcio é escritor, é músico, é poeta e é ministro e, portanto, é um homem plural, que expressa a pluralidade, a riqueza e a diversidade cultural de Cabo Verde”, disse o chefe do Governo caboverdiano.

O facto de Mário Lúcio Sousa ter decidido doar o valor do Prémio Miguel Torga (cinco mil euros) para as obras de reabilitação do Campo do Tarrafal é classificado pelo primeiro-ministro de Cabo Verde como “um gesto muito nobre”. “Foi precisamente no Campo de Concentração do Tarrafal que Mário Lúcio foi acolhido e formado até ir para Cuba”, onde se formou em direito, recordou.

O Campo do Tarrafal “é Património Nacional e estamos a trabalhar para que seja Património da Humanidade”, disse José Maria Neves, salientando que a antiga prisão não é património exclusivo de Cabo Verde.

“O Tarrafal é património da lusofonia, é de Cabo Verde e de todas as ex-colónias portuguesas e de Portugal e, sobretudo, de todos os combatentes pela liberdade”, sustentou José Maria Neves, recordando que “muitas pessoas deram lá a sua vida para que hoje estes países sejam livres e independentes”.