Alberto João Jardim tem quase tudo para oficializar a sua candidatura à Presidência da República. Apesar de ainda estar à procura de financiamento, Jardim já tem programa, mais de duas mil assinaturas e, segundo fontes do jornal Expresso, próximas do ex-presidente presidente do Governo Regional da Madeira, a sua candidatura é uma garantia. E o anúncio deve ser oficializado “antes das legislativas”.

“A ideia, é aproveitar tudo o que apareça para tomar a palavra”, sublinhou ao Expresso o assessor de Jardim, André Freitas, suportado pela aparição do ex-líder da Madeira numa conferência no Porto, onde aproveitou para divulgar as suas ideias para o país. “Ele quer aproveitar a candidatura para ‘vender o seu produto’ e para mostrar que está vivo”, explica outra fonte do Expresso, descrito como “um dos amigos mais próximos” de Jardim.

O comité jardinista é claro: “Neste momento diria com toda a certeza que ele vai ser candidato”, clarifica um dos braços direitos de Jardim ao Expresso, acrescentando que o ex-presidente da Madeira deve oficializar a sua candidatura em setembro. Para os jardinistas, o projeto de Jardim não pretende ganhar, apenas marcar posição e “ser incómodo”, tal como Jardim declarou dia 14 de julho.

O que precisa Jardim para se tornar candidato?

Dinheiro, apoio e dinheiro. De acordo com o Expresso, Jardim está a tentar encontrar fontes de financiamento. O ex-presidente da Madeira terá pedido ao ex-presidente da associação de construção civil da Madeira Jaime Ramos, que já fora em tempos uma influente figura junto dos empresário, para encontrar financiadores para a campanha eleitoral.

Assinaturas também são necessárias. A lei obriga a 7500 mas o ex-líder quer dez mil: “Se aparecerem pelo menos dez mil proponentes, eu avanço, mas é preciso que apareçam”, dizia há um mês. O ex-presidente da Madeira pretende alcançar as 10 mil assinaturas para estar mais confortável, caso haja irregularidades na validação da candidatura pelo Constitucional.

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imagem retirada do Facebook (https://www.facebook.com/ajjpresidenciais16)

Por esta altura têm seis mil likes na página de Facebook e mais de duas mil assinaturas, quase todas vindas da Madeira. No continente “há muita gente que está a recolher em todos os distritos. As pessoas retiram os PDF’s da net, preenchem e enviam-nos”, explica o assessor de Jardim ao Expresso. Caso não atingirem o número de assinaturas necessárias, os jardinistas devem “fazer uma campanha nacional de angariação”.

Os apoiantes de Jardim explicaram ao Expresso que uma campanha presidencial custa, no mínimo, um milhão de euros, com um limite máximo imposto pelo Tribunal Constitucional de 10 mil euros nos donativos

O financiamento e as assinaturas não constituem o único obstáculo à candidatura de Jardim. O PSD Madeira e o PSD Nacional podem não apoiar a candidatura do ex-presidente da Madeira, especialmente derivado às constantes fricções entre Pedro Passos Coelho e Jardim.

“A minha intenção é ser incómodo”

O programa chama-se “A Tomada da Bastilha”, referenciando o símbolo da Revolução Francesa que “fez cair o Ancien Régime“.

“O sistema político da Constituição de 1976 está gasto, transformou a democracia, esperança do 25 de abril, num Ancien Régime“, lê-se na página de Facebook de Alberto João Jardim. Para o ex-presidente da Madeira as propostas são “apenas um exercício de cidadania”.

Estão entre as propostas:

  • “Estruturar Portugal em nove regiões, cada uma com os seus Órgãos de governo próprio e dotado de poder legislativo”.
  • Proibir “o direito à greve em quatro setores: Defesa Nacional e Segurança Interna, Justiça, Saúde e Socorrismo, e Transportes”.
  • A extinção da fiscalização preventiva da constitucionalidade.
  • O Presidente da República passa a ser o chefe do Governo e eleito para um mandato de sete anos.

Segundo as declarações de um jardinista ao Expresso, a candidatura “chateia o Passos”. “Vamo-nos vingar com várias coisas, e a candidatura de Jardim é só uma delas”, explica o jardinista, garantido que o ex-presidente madeirense “não gosta do [Rui] Rio”, candidato com o apoio do PSD, considerando que “não tem perfil para ser candidato”.

Uma coisa é certa, a ideia da candidatura de Jardim pretende agitação: “A Bastilha que é preciso tomar ou a Constituição que é necessário mudar”.

Texto editado por João Cândido da Silva.