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É uma hora. Boa noite, eu sou o Martim Madeira e é tempo de atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos pelo mau tempo. Depois da depressão Joseph, é a vez da depressão Christine. A Proteção Civil fez um balanço das consequências do mau tempo em Portugal. Foram registadas mais de 1500 ocorrências até às 10 da noite de terça-feira. Há seis distritos em alerta máximo: Aveiro, Braga, Coimbra, Guarda, Porto e Viseu. O comandante Paulo Santos sublinha que a Proteção Civil está preparada para os ventos, que podem atingir os 140 km/h, e apela às pessoas para que tenham cautela.
O norte do país está todo em prevenção, existe pré-posicionamento de meios dos serviços municipais de Proteção Civil, com veículos de remoção de destroços. Estamos todos preparados. Esperamos que os portugueses também façam a parte deles, que é de seguir os conselhos das autoridades, não se aproximar das zonas costeiras e evitar deslocações desnecessárias.
Não há registros de vítimas na consequência das depressões que estão a afetar Portugal continental. A tempestade Christine vai dirigir-se do litoral para o interior, chegando à Espanha já com menor intensidade. Escolas encerradas, transportes cancelados e estradas cortadas são algumas das consequências desta depressão que passa por Portugal, que vai afetar principalmente o litoral centro e o norte do país. Por todo o território continental, pelo menos 14 estradas nacionais estavam cortadas às nove da noite de terça-feira, devido ao mau tempo, e é o que dá conta a Guarda Nacional Republicana. Na margem sul, diversas vias em Amora, Arrentela e aldeia de Paio Piros, no concelho de Seixal, vão estar encerradas. Entretanto, todas as escolas do concelho de Torres Vedras também vão estar encerradas nesta quarta-feira. Um anúncio feito esta terça-feira pela Proteção Civil Municipal, tendo em conta o agravamento do estado do tempo e da previsão de inundações. A escola de Ísida, em Bragança, vai estar encerrada esta quarta-feira e os transportes públicos para as aldeias vão também ser suspensos devido à previsão de queda de neve, é o que adianta a autarquia. Passamos a um dos destaques da noite de terça-feira, o debate único da segunda volta das presidenciais. António José Seguro promete que dedicar o seu primeiro Conselho de Estado à defesa e à segurança. André Ventura defende que deve ser o Ministério Público a escolher o procurador-geral da República. São estes alguns dos destaques de um debate onde dois candidatos à Presidência da República discordaram em quase tudo. Desde a política de imigração à relação com o governo de Luís Montenegro, André Ventura acusou António José Seguro de ser um candidato que não está preparado para Belém. Seguro respondeu a lembrar as críticas que fez no primeiro debate entre os dois e defendeu que o líder do Chega está na eleição errada. E este único debate da segunda volta começou a discutir os apoios que se têm somado à candidatura de António José Seguro, apoios, João Gama, que surgiram principalmente à direita. André Ventura encontra contradições em apoios como o de Aníbal Cavaco Silva e, por isso, tira uma conclusão.
É este mesmo homem que diz que António José Seguro é medroso, sem capacidade de liderança, inseguro, apesar do nome, que diz que agora vai votar nele. Isto não é sobre António José Seguro, lamento dizer, é sobre cancelarem-me a mim.
António José Seguro promete ser um candidato independente e livre e diz que debate com André Ventura embaraçado.
Percebo que é um embaraço, porque o senhor deputado André Ventura apelou a que toda a direita se juntasse a si e eles responderam dizendo-lhe: "Preferimos o António José Seguro".
Diferenças do início ao fim, desde logo na relação com o governo.
E serei um presidente que coopera lealmente com o governo e com o primeiro-ministro.
Não vai ser exigente de forma nenhuma com o governo e por isso que querem um presidente que seja, mas que seja uma espécie de rainha de Inglaterra.
Seguro diz que Ventura está a concorrer numas primárias de direita. O candidato apoiado pelo Chega desafia o adversário a ir além de generalidades.
O doutor António José Seguro conseguiu falar durante 2 minutos e 36 sem dizer uma única coisa.
É muito simples. Eu percebo qual é a técnica do doutor André Ventura. É dizer que eu não digo nada. E depois diverge.
De resto, os dois candidatos concordaram em apenas um tema, a revisão da lei laboral. Tal como está, será chumbada por qualquer um dos que seja eleito presidente da República, mas António José Seguro admite promulgá-la caso haja apenas acordo com o GT.
Sim, claro. A posição é muito clara. Se é a proposta inicial, vetarei politicamente.
O senhor desafiou André Ventura a dizer se votava ou não contra esta reforma. Está esclarecido em relação a isso?
Não, absolutamente nada.
Mas eu já disse. Então eu vou lhe dizer aqui com clareza. Se chegar assim, não passará.
Quanto à escolha do próximo procurador-geral da República, Ventura quer que seja feita dentro do Ministério Público e não por proposta do primeiro-ministro. Para Seguro, é sinal de falta de preparação.
Qual é a alternativa para a nomeação do procurador-geral da República?
Olhe, podia ser, por exemplo, dentro da corporação do Ministério Público, ser escolhido por eles.
Uma corporação que escolhia. Pergunto-lhe, uma nomeação corporativa do procurador-geral da República, a quem é que ele responde?
A quem responde? Responde, se calhar, mais facilmente do que ao governo.
O tom voltou a subir quando o tema passou a ser a imigração. Ventura insiste que Portugal não tem condições para acolher mais imigrantes e traz a debate a teoria da substituição.
Uma exigência brutal de mão de obra, mas a exigência de mão de obra não pode significar uma substituição populacional. Eu não quero fechar Portugal. Eu quero é que quem venha para Portugal, um, tenha que cumprir regras.
Seguro respondeu com uma pergunta.
Não, é só para dizer que esta política do empadão, quer dizer, começa-se uma coisa, mistura-se tudo, eu discordo completamente. Segundo, como é que resolvia o problema da economia? Ela para?
O debate fechou com uma discussão sobre a relação entre Portugal e os Estados Unidos. André Ventura, apoiante de Donald Trump, diz que o Presidente da República deve ser firme na defesa do país, esteja quem estiver na Casa Branca. António José Seguro revela que vai dedicar o primeiro Conselho de Estado à defesa e à segurança, precisamente por pessoas como Donald Trump, para quem, diz o socialista, o direito internacional vale muito pouco. O debate da noite de terça-feira entre André Ventura e António José Seguro, aqui resumido pelo jornalista João Gama, com divergências em várias áreas. Ventura defende que deve ser o Ministério Público a escolher o Procurador-Geral da República. Na imigração, Seguro acusa o líder do Chega de fazer política com base no medo, sem se preocupar em encontrar soluções. No desporto, morreu Fernando Mamede, uma das maiores figuras do atletismo português. Bateu recordes mundiais, foi detentor durante mais de uma década, entre 1984 e 1999, do recorde mundial dos 10 mil metros. Marcou também presença em três Jogos Olímpicos, Munique em 1972, Montreal em 76 e Los Angeles em 84. Em comunicado, o Sporting, clube que representou, manifesta um profundo pesar e lembra o que diz ser um dos maiores nomes da história do desporto português e do emblema de Alvalade. O editor de desporto d'O Observador fala num pássaro que chegou longe, mas que podia ter voado onde muitos outros chegaram. Bruno Roseiro lembra o percurso de Fernando Mamede, que define como um dos maiores do atletismo nacional e a quem, no entanto, faltou só deixar a marca nos Jogos Olímpicos.
Ficará sempre como um dos maiores atletas de sempre de Portugal. Foi, de facto, uma das grandes referências da sua geração, mas foi alguém a quem faltou sempre o cunho de mostrar aquilo que era nos Jogos Olímpicos. Ele esteve em Munique em 72, esteve em Montreal em 76, foi também a Los Angeles em 1984 e foi aí que nunca conseguiu traduzir em resultados aquilo que ele era como atleta. Bateu recordes do mundo, bateu recordes da Europa, nunca conseguiu a última coroa de glória que foi os Jogos Olímpicos. Ainda assim, fica a marca de alguém de uma das gerações mais fortes de sempre do atletismo nacional.
O editor de desporto d'O Observador enaltece ainda Fernando Mamede e outros da mesma geração que conseguiram fazer muito do pouco que tinham.
Aquilo que Fernando Mamede mostrou era que, com poucas condições, sabendo que os outros atletas tinham uma preparação muito maior, que havia um investimento muito maior de outros países, eles conseguiam se bater exatamente com esses que eram apontados como as grandes referências na altura e bater recordes mundiais. Quando Fernando Mamede consegue bater o seu recorde mundial, é também na década onde Carlos Lopes e Rosa Mota conseguem as primeiras medalhas de ouro de Portugal nos Jogos Olímpicos e é a primeira vez que nós, portugueses, começamos a sentir que conseguimos ter uma expressão internacional que era complicado ter até aí, a não ser no futebol.
A reação à morte de Fernando Mamede por parte do editor de desporto d'O Observador, Bruno Roseiro. O antigo atleta morreu na terça-feira na sequência de complicações cardíacas. Tinha 74 anos. Esta quarta-feira é noite de Liga dos Campeões. Benfica e Sporting entram em campo. As Águias vão defrontar o Real Madrid no Estádio da Luz e José Mourinho quer o foco total na vitória. Os três pontos podem não chegar. As Águias têm de esperar por outros resultados para conhecer o futuro na competição. No entanto, José Mourinho quer a equipa a dar tudo.
Não temos que pensar nos outros resultados. Se não ganharmos, não há resultados que nos possam qualificar. Só ganhando é que podemos depois, no final do jogo, constatar se os resultados foram favoráveis ou desfavoráveis. Portanto, o objetivo é só um, que é tentar tudo para ganhar o jogo, mesmo sabendo quem está do outro lado.
O treinador do Benfica reconhece a qualidade do Real Madrid e a partida é no Estádio da Luz, começa às 20h e tem relato em direto aqui na antena da Rádio Observador. Ora, ao mesmo tempo, joga o Sporting nesta última jornada da fase de Liga contra o Athletic Bilbao, em Espanha, em Bilbao. Rui Borges diz que nada apaga a trajetória do Sporting nesta competição e pede humildade rumo à vitória.
Sabemos todas as dificuldades, sabemos que será um jogo difícil, mas vamos, tal como fomos nos outros jogos, com muita ambição, com muita vontade, iguais a nós mesmos, tentar fazer o nosso melhor e chegar ao fim e ver qual é a consequência do nosso melhor. Se for ficar nos oito primeiros, muito bom. Se não for, bom na mesma, nada apagará aquilo que tem sido o trajeto fantástico da equipa.
Para se manter na competição, o Athletic Club Bilbao tem de vencer o Sporting. Relembro que se o Sporting ganhar ao Athletic Club Bilbao, pode entrar diretamente para o top oito da Liga dos Campeões e avançar sem precisar de ir a playoffs. Jogo também que está marcado para as 20h, pode acompanhar na emissão de desporto especial aqui na Rádio Observador. Fim deste jornal da 01:00. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese da 01:30. Até já.