A PT Portugal quer cortar no pagamento à RTP, SIC e TVI para a transmissão dos seus canais temáticos no cabo. Esta semana, confirmou o Observador, já houve reuniões da empresa com responsáveis da RTP, da TVI e da SIC. Em cima da mesa, não esteve já um valor (em alguns casos, a PT está a negociar reduções de 30% na fatura com fornecedores), mas uma primeira conversa exploratória sobre a intenção de renegociar contratos. É mais um passo na política de revisão das relações com os fornecedores e que tem como principal reduzir os custos.

A PT paga cerca de 22 milhões à SIC para a transmissão dos seus canais na plataforma da Meo, cerca de 10 milhões à RTP e seis milhões à TVI. São estes valores que agora podem ser revistos. Nas reuniões, que não foram ainda ao nível das respetivas administrações, a PT comprometeu-se a apresentar nos próximos dias “um novo modelo” para estes contratos, que em alguns casos só terminam em 2016, ou seja, pode não ter efeito imediato, no entendimento das empresas de televisão. Fonte oficial da operadora declinou comentar esta matéria.

Do lado das televisões, o entendimento é o de que este será o ponto de partida para uma negociação, com vários fatores em cima da mesa, um deles é, por exemplo, o pagamento à PT para pela transmissão os seus canais na TDT (televisão digital terrestre). Neste caso, é a PT quem recebe dinheiro – 3,5 milhões da TVI, 3,5 milhões da SIC e 7 milhões da RTP. As três televisões têm várias relações comerciais com a operadora, são clientes, fornecedoras e parceiras. E uma renegociação tenderá a envolver todos estes aspetos.

No limite, se não houver acordo, as televisões podem optar por deixar de fora da Meo alguns dos seus canais, tornando-os assim exclusivo das outras operadoras concorrenciais do cabo. A Meo, de acordo com dados de finais de 2014, é uma das principais plataformas de televisão por cabo, tendo cerca de 1,3 milhões de clientes, ou seja 41% do mercado. A Nos tem uma quota de 46% e Vodafone de 6,7%.

A chegada do novo acionista, a Altice, trouxe uma nova abordagem, mais dura, às relações com os fornecedores, chegando mesmo a haver notícias de atrasos nos pagamentos da PT, que entretanto já terão sido ultrapassados. Em entrevista ao Diário Económico, o novo presidente, Armando Pereira, assumiu que a opção para reduzir os custos não passava por baixar os salários e regalias dos trabalhadores, mas sim pela adoção de um novo modelo de funcionamento, onde se inclui a renegociação dos contratos de fornecimento. Estas duas rubricas são as que pesam mais do lado dos custos.

Esta sexta-feira, em mensagem enviada aos trabalhadores do grupo, o novo CEO da PT, Paulo Neves, garantia ser “fundamental” para o futuro da PT Portugal “aumentar o investimento, nomeadamente na rede de fibra ótica, potenciar a inovação e melhorar a qualidade de serviço. São estes os nossos três compromissos”.