O PSD contestou as contas do PS, chegando a desafiar os socialistas a pedir uma revisão por uma entidade independente. E Passos Coelho chegou a desafiar os seus adversários a fazer como o Governo fez com o programa de Estabilidade, e a dizer, setor a setor, quanto gastariam se chegassem ao poder. No programa eleitoral do PSD e CDS, que é apresentado em Lisboa esta quarta-feira, haverá assim uma contabilização de quanto custam as medidas propostas? A resposta é não – no programa isso não está, confirmou o Observador.

A guerra dos números promete ser um dos elementos centrais das legislativas, com a coligação a apontar os riscos da estratégia do PS e os socialistas a defenderem-se com as contas que fez o grupo de economistas liderados por Mário Centeno, economista do Banco de Portugal, agora candidato por Lisboa. Mas chegados a esta fase da pré-campanha, os dois mostram-se empatados no jogo: há hoje mais dados para avaliar as principais medidas de um e outro lado do que conseguimos ter alguma vez, mas no que respeita aos programas, uns e outros deixam as contas na gaveta das respetivas sedes.

Começando pelo melhor: o Governo entregou em abril um programa plurianual em Bruxelas, traçando as medidas que gostaria de implementar, assim como as estimativas macroeconómicas. Foi aí que Passos e Portas mais tiveram que negociar. E foi aí que ficámos a saber o essencial: a reposição das medidas de austeridade aplicadas nestes quatro anos seriam – intenção dos dois – devolvidas durante os quatro anos da legislatura seguinte. Havia detalhes, muito por força da legislação comunitária, que obriga agora os governos a entregar planos detalhados para o futuro.

Do lado socialista, António Costa apostou tudo em Centeno – e no seu plano económico para a legislatura. Nessa altura o PS mostrou as medidas, as respetivas contas (coisa nunca antes feita, no que respeita à oposição), respondeu às dúvidas (críticas) do PSD, embora recusando uma avaliação externa às mesmas. Ficou aí, mesmo assim uma promessa de Costa: as medidas que iriam integrar o programa final teriam de ser cruzadas com aquele quadro macroeconómico. E depois mostradas, para efeitos de verificação de credibilidade, “de forma a que possa haver uma medição final” e a mostrar que “o programa está em condições de ser executado, como disse Costa numa entrevista ao Observador, em maio.

Para todos os efeitos, o PS nunca disse o que ficou de fora (se alguma coisa ficou). E até agora nunca mostrou as contas finais – apesar de várias vezes isso ter sido pedido pelo Observador.

Hoje vem, então, o programa de PSD e CDS. Sem contas – para além das que estão no Programa de Estabilidade, mas com mais promessas do que lá estavam em abril. Fontes contactadas pelo Observador garantem que os partidos estão dispostos a responder a perguntas sobre essas promessas. Faltam pouco mais de dois meses para as eleições legislativas de 2015.