Pedro Passos Coelho está a chamar a São Bento vários nomes do Governo. Além de vários ministros, como Paula Teixeira da Cruz e Luís Marques Guedes, que já figuravam em listas anteriores e que agora ocupam os 3º e 4º lugares do círculo de Lisboa, também os secretários de Estado Pedro Lomba e Manuel Rodrigues, que não integravam as listas de 2011, vão ser candidatos a deputados. O mesmo acontece com Miguel Morgado, assessor político de Passos e homem da sua confiança, que irá em lugar elegível na lista do Porto. Todos saltam da cadeira do Governo para uma cadeira em São Bento.

Pedro Lomba, atual secretário de Estado adjunto do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, vai integrar o círculo de Faro, em quarto lugar, enquanto Manuel Rodrigues, secretário de Estado das Finanças e ex-vice-presidente do PSD, será o número dois em Coimbra.

O assessor político de Passos e seu braço direito no Governo, Miguel Morgado, vai estrear-se na lista de candidatos a deputados. Segue pelo Porto, em 13º lugar, distrito onde também se encontra o ex-ministro da Agricultura Carlos Costa Neves.

Também Feliciano Barreiras Duarte, que foi secretário de Estado adjunto de Miguel Relvas e que saiu do Governo quando o ministro se demitiu, integra as listas da coligação, aparecendo em segundo lugar no círculo de Leiria. O mesmo acontece com os secretários de Estado Luís Campos Ferreira, dos Negócios Estrangeiros, e Emídio Guerreiro, do Desporto e Juventude, que concorrem pelos seus círculos habituais, Viana do Castelo e Braga, respetivamente. Não são, por isso, novidades, visto que ambos já integravam as listas de há quatro anos, e as anteriores.

Uma novidade é o regresso da eurodeputada Regina Bastos, que já foi deputada na Assembleia da República entre 2005 e 2009, tendo depois rumado a Estrasburgo. Antes, no governo de Santana Lopes, chegou a ser secretária de Estado da saúde.

Fernando Negrão, que nesta legislatura era presidente da comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais e presidiu à comissão de inquérito ao BES, deixa o círculo de Lisboa mas vai como número dois em Braga, atrás do ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva.

A reunião do Conselho Nacional do PSD, que foi convocada para aprovar as listas de candidatos à Assembleia da República, terminou ao fim de pouco mais de duas horas. Listas foram aprovadas por unanimidade, tendo os dirigentes abdicado da votação em urna para votarem tudo de uma vez, de braço no ar. Ainda assim, a lista de Leiria acabou por dar mais luta para decidir se o ex-autarca das Caldas da Rainha e atual vereador em Loures, Fernando Costa, ficava ou não na lista. Fernando Costa é também líder social-democrata da distrital de Leiria.

Fernando Costa acabaria por ficar de fora, depois de a lista de Leiria ter sido votada à parte na comissão política que antecedeu o Conselho Nacional. Em causa está o critério dos estatutos que diz que os autarcas com pelouros não podem integrar as listas. Aos jornalistas, no final da reunião, Fernando Costa mostrou-se desiludido e sublinhou o facto de ser o único presidente de distrital a ser excluído do leque. “Não fiquei satisfeito”, começou por dizer, atenuando de seguida ao dizer que se tivesse ficado mesmo “magoado” estaria “calado”, e não a falar aos jornalistas.

Passos “satisfeito”. Renovação de 60%

Fechadas as listas, o líder parlamentar Luís Montenegro falou aos jornalistas para se mostrar satisfeito com a forma como decorreu o processo – “com tranquilidade, dentro da normalidade e em estreita cooperação com o CDS”.

Antes, no discurso que fez na reunião que decorreu esta noite num hotel de Lisboa, também Pedro Passos Coelho transmitiu ao partido a mensagem de que as “listas eram satisfatórias”, ainda que tenha sublinhado a “pena” pela ausência de alguns nomes. Passos destacou ainda que no PSD não há o mesmo tipo de “problemas sensíveis” que há no PS (leia-se, oposição interna), pelo que pediu aos conselheiros nacionais para que a reunião não se prolongasse noite dentro – para não passar para fora a mensagem de que teria havido divergências.

A reunião acabaria por durar apenas cerca de duas horas, tendo sido as 22 listas sido votadas “por unanimidade”.

Certo é que o PSD tem menos candidatos do que em 2011 devido ao facto de este ano partilhar as listas com o CDS, mas ainda assim, os sociais-democratas mostraram-se satisfeitos com os números: segundo Luís Montenegro há um total de 60% de novos candidatos, que não integravam as listas há quatro anos; 40% são mulheres e há “uma dezena” de independentes, para além dos três já anunciados como cabeças de lista. De acordo com Montenegro, contudo, nem todos estão em lugares elegíveis.

Entre os cabeças de lista, já conhecidos há uma semana, Montenegro destacou ainda o facto de haver “70% de renovação” face a 2011 e de um terço dos lugares cimeiros estar entregue a mulheres.

Em Lisboa, círculo eleitoral mais concorrido, a lista ordenada do PSD é a seguinte: Passos Coelho, Paulo Portas, seguindo-se a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, o ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, depois José Matos Correia (vice-presidente do PSD), Pedro Pinto, José Matos Rosa (secretário-geral do partido), Sandra Pereira e Sérgio Azevedo. O sexto, o décimo e o 12º lugar cabem ao CDS.

Os que ficam de fora

Entre as ausências conta-se a de António Rodrigues, coordenador dos sociais-democratas para os negócios estrangeiros na anterior legislatura, de Arménio Santos, histórico secretário-geral dos Trabalhadores Sociais Democratas, e Paulo Mota Pinto, ex-vice-presidente do partido. Nenhum consta das listas de candidatos às eleições legislativas de 4 de outubro.

Também os deputados Mónica Ferro, Nuno Reis e Carlos São Martinho estão fora, assim como Pedro Saraiva, relator da comissão de inquérito ao BES. A deputada Francisca Almeida, que coordenou os trabalhos dos sociais-democratas na comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais, também sai das listas, como já tinha anunciado.

O mesmo acontece com o ex-autarca de Sintra Fernando Seara e com Isilda Pegado, ativista anti-legalização do aborto, nomes que faziam parte da lista de Lisboa apresentada pela distrital à direção nacional, mas que acabaram por ficar de fora. Seara afirmou, contudo, ao Observador que foi o próprio a dizer que “não estava disponível” para ser deputado na próxima legislatura.

De resto, já era conhecido que entre os cabeças de lista da coligação se encontravam quatro ministros – Passos Coelho (Lisboa), Jorge Moreira da Silva (Braga), José Pedro Aguiar Branco (Porto) e Maria Luís Albuquerque (Setúbal) – e outros quatro secretários de Estado, António Leitão Amaro em Viseu, Teresa Morais em Leiria, José Cesário no círculo Fora da Europa, e Berta Cabral número um nos Açores. Ou seja, um total de oito governantes a encabeçarem oito círculos, a que se juntam nove deputados desta última legislatura.