Quatro ministros, quatro secretários de Estado, nove deputados e, no total, sete mulheres. Renovação, mas pouco. Entre os 22 cabeças de lista da coligação Portugal à Frente só seis não integravam as listas de candidatos a deputados há quatro anos. Sem surpresas, são todos da área do PSD, sendo que os centristas não ficam com nenhum lugar de topo. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas serão os números um e dois em Lisboa, para fazer frente a António Costa.

Já no Porto, o número um é o ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco, seguido de Marco António Costa, o número dois do PSD que nos últimos dias se especulou poder ficar de fora por estar a ser investigado por irregularidades na Câmara Municipal de Gaia.

Na categoria dos independentes, isto é, dos que não são militantes sociais-democratas de papel passado, estão Carlos Abreu Amorim, que já em 2011 entrou na lista de Viana do Castelo como número 1, e que agora repete a proeza; o arquiteto paisagista, escritor e presidente da Assembleia Municipal de Vila Real de Santo António, José Carlos Barros, que vai liderar a lista da coligação em Faro; e a vice-reitora da Universidade de Coimbra Margarida Mano, que vai concorrer por aquele distrito para defrontar a também independente e académica Helena Freitas, cabeça de lista do PS.

Oito governantes lideram listas

Entre os atuais governantes, mantém-se três ministros na liderança das listas: Pedro Passos Coelho (agora por Lisboa), Maria Luís Albuquerque (Setúbal) e Aguiar Branco (Porto), assim como os secretários de Estado Teresa Morais (Leiria) e José Cesário (Europa). A estes governantes juntam-se agora outros três, o ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva e os secretários de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro (Viseu), e da Defesa, Berta Cabral (Açores), que não eram cabeças de lista em 2011, mas que são agora em 2015. Ou seja, são oito os governantes que encabeçam as listas da coligação, entre ministros e secretários de Estado.

Fora dos cabeças de lista, contudo, destacam-se ainda mais três ministros e um secretário de Estado, do CDS. Sem conseguir nenhum cabeça de listas, os centristas aparecem representados em lugares cimeiros nas listas da coligação pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas (único número 2), mas também pelos ministros Assunção Cristas (Leiria), Luís Pedro Mota Soares (Porto) e o secretário de Estado João Almeida (Aveiro), que são os primeiros representantes do CDS nos seus círculos, não sendo ainda certo em que lugares aparecem.

As mulheres a liderar as listas da coligação são sete: Maria Luís, Teresa Leal Coelho, Teresa Morais, Nilza Sena, Margarida Mano, Berta Cabral (Açores) e Sara Madruga Costa (Madeira). Mas há uma mulher que fica de fora: Assunção Esteves, atual presidente do Parlamento, que o Expresso diz ter recusado o convite de Passos para liderar a lista de Vila Real.

Os repetentes e os que ficam de fora

Além da atual Presidente da Assembleia da República, que estando de fora dos cabeças de lista deixa ser candidata a deputada, há outros nomes sonantes que agora são excluídos dos lugares cimeiros para as legislativas de outubro.

Comparando com os cabeças de lista do PSD em 2011, há oito nomes em 22 que se repetem. São eles Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Aguiar-Branco, Cristóvão Crespo, Teresa Morais, e Carlos Abreu Amorim. Os círculos da Europa e Fora da Europa também mantém os seus cabeças de lista: Carlos Gonçalves e José Cesário, atual secretário das Comunidades.

Por outro lado, há 14 nomes que encabeçavam as listas do PSD em 2011 que já não repetem a proeza em 2015.

Saem por isso figuras como os ex-ministros Miguel Macedo e Miguel Relvas (que ainda chegou a ser apontado como um dos preferidos da distrital de Santarém, mas cujo lugar acabou por ficar para Teresa Leal Coelho), Francisco José Viegas, o independente que em 2011 foi cabeça de lista por Bragança, Carlos Moedas (agora comissário europeu) ou Mendes Bota, que integra agora a equipa de Jean-Claude Juncker na Comissão Europeia.

Também os deputados Couto dos Santos, Pedro Lynce e Mota Amaral deixam as listas depois de já terem dito que estava terminada a sua missão na Assembleia da República, e os atuais deputados Costa Neves e José Manuel Canavarro, deixam de encabeçar os círculos que encabeçaram há quatro anos. De fora fica também o ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, que em 2011 era o cabeça de lista do PSD Madeira à Assembleia da República

Renovação, mas pouco

A ideia de Passos Coelho seria apostar na mudança e num novo ciclo, mas a não governamentalização dos cabeças de lista acaba por ficar aquém do esperado: além dos cinco governantes repetentes entram mais dois secretários de Estado, Leitão Amaro e Berta Cabral, perfazendo com isso um total de sete governantes no topo das lista.

Para além disso, há ainda nove nomes no topo das listas que, não tendo sido cabeças de lista em 2011, já eram deputados na atual legislatura – Adão Silva, Nilza Sena, Carlos Peixoto, Luís Ramos, Carlos Gonçalves, Luís Montenegro e Teresa Leal Coelho. Teresa Leal Coelho é, de resto, uma das surpresas. Na última legislatura foi uma das dirigentes do partido mais próximas de Passos Coelho mas que protagonizou alguns dos momentos mais quentes no Parlamento. Em 2013 demitiu-se da vice-presidência da bancada social-democrata na sequência da decisão de convocar um referendo à coadoção. Agora volta à linha da frente, ocupando o primeiro lugar de Santarém, que em 2011 pertencia a Miguel Relvas.

Feitas as contas, a renovação fica resumida a seis nomes. Apenas Margarida Mano, António Costa da Silva, José Carlos Barros, Manuel Frexes, Sara Madruga da Costa e Berta Cabral não foram candidatos a deputados nas últimas eleições.

CDS sem números 1

Não há nomes do CDS no topo das listas de candidatos a deputado, mas pelo menos os que integram atualmente o Governo têm lugar garantido – ainda que não necessariamente como ‘números 2’. Além de Paulo Portas, que se segue a Passos Coelho na lista de Lisboa, também a ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, vai como primeiro nome centrista em Leiria, o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Luís Pedro Mota Soares, é o primeiro nome do CDS no Porto, atrás de Aguiar Branco e do porta-voz do PSD Marco António Costa.

Também o secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida, surge destacado na lista de Aveiro.

Eis a lista completa

Aveiro: Luís Montenegro (líder parlamentar PSD)

Beja: Nilza Sena

Braga: Jorge Moreira da Silva (ministro do Ambiente)

Bragança: Adão Silva

Castelo Branco: Manuel Frexes (presidente da Comissão Política Distrital do PSD)

Coimbra: Margarida Mano (Independente)

Évora: António Costa da Silva (consultor e gestor de empresas, vogal executivo do INALENTEJO)

Faro: José Carlos Barros (Independente)

Guarda: Carlos Peixoto (deputado)

Leiria: Teresa Morais (secretária de Estado da Igualdade)

Lisboa: Pedro Passos Coelho (primeiro-ministro)

Portalegre: Cristóvão Crespo (deputado)

Porto: José Pedro Aguiar Branco (ministro da Defesa)

Santarém: Teresa Leal Coelho (deputada)

Setúbal: Maria Luís Albuquerque (ministra das Finanças)

Viana do Castelo: Carlos Abreu Amorim (Independente)

Vila Real: Luís Ramos (deputado)

Viseu: António Leitão Amaro (secretário de Estado da Administração Local)

Europa: Carlos Gonçalves (deputado)

Fora da Europa: José Cesário (secretário de Estado das Comunidades)

Listas onde PSD e CDS concorrem em separado:

Açores: Berta Cabral (secretária de Estado da Defesa) é a cabeça de lista do PSD; Félix Rodrigues é o cabeça de lista do CDS

Madeira: Sara Madruga da Costa (deputada da Assembleia legislativa da Madeira) é a cabeça de lista do PSD; José Manuel Rodrigues encabeça a lista do CDS

As listas completas vão ser propostas aos conselhos nacionais dos dois partidos da coligação, para aprovação, nas reuniões que decorrem na próxima quinta-feira, dia 30 de julho. Já o programa da coligação vai ser anunciado um dia antes, na quarta-feira pelas 18h30.

Nota: Notícia corrigida às 16h55, retificando que são oito os governantes que encabeçam as listas da coligação, e não sete.