Esta quinta-feira o cometa Chury atingirá o ponto mais próximo do Sol, a apenas 186 milhões de quilómetros, e a Agência Espacial Europeia (ESA) vai transmiti-lo em direto. O feito não seria surpreendente, não levasse o cometa dois viajantes consigo: Philae, uma sonda presa à superfície do cometa, e Rosetta, a sonda que transportou Philae e que continua a orbitar o cometa. A missão dos viajantes era recolher toda a informação possível sobre o 67P/Churyumov-Gerasimenko. E quanto mais perto do Sol melhor.

De cada vez que se aproxima do Sol, a cada 6,5 anos (a duração da órbita), o cometa derrete parte do gelo à superfície libertando partículas, poeiras e gases. A missão de Philae e Rosetta era estudar os materiais e compostos libertados pelo cometa, na esperança de encontrar mais informações sobre a origem do universo. Acredita-se que os cometas se tenham formado nessa altura e desde então tenham vagueado pelo espaço.

“O período próximo do periélio [o ponto mais próximo do Sol] é muito importante cientificamente. À medida que o calor do Sol e a libertação de gases e poeiras atinge um máximo fornece-nos, neste momento, perceções sobre o ciclo de vida do cometa”, disse Nicolas Altobelli, atual coordenador da missão científica da Rosetta. “Por exemplo, as modificações à superfície podem revelar-nos materiais frescos que ainda não foram alterados pela radiação solar ou pelos raios cósmicos, abrindo-nos uma janela para as camadas do cometa abaixo da superfície. Será a primeira vez que a exploração cometária conseguirá monitorizar as modificações na superfície à medida que a atividade [no cometa] aumenta.”

Para assinalar o ponto mais próximo do Sol, o periélio, a Agência Espacial Europeia, responsável por esta missão, terá uma transmissão em direto na quinta-feira, dia 13, a partir das 14 horas (hora de Lisboa). Pode assistir no Google Hangout ou no Youtube. Até lá pode seguir por onde anda a Rosetta aqui (“Where’s Rosetta?”).

Fez na passada quinta-feira, dia 6, um ano que a sonda Rosetta chegou ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e começou a orbitá-lo. “Chegou” quer dizer que ficou a 100 quilómetros de distância. A chegada era aguardada com grande expectativa, visto que a viagem da sonda até ao cometa levou cerca de 10 anos.

Desde agosto do ano passado que a sonda tem recolhido tanta informação quanto possível sobre o astro e à medida que a cauda do cometa aumenta, mais informação pode ser recolhida. Neste momento são cerca de 120 mil quilómetros de gases e poeiras “soprados” pelos ventos solares da superfície do cometa. E em novembro, também Philae contribuiu com informação. Mas o robô aterrou à sombra e a missão não foi cumprida como desejado. Desde dia 9 de julho que não envia nenhum sinal a Rosetta.

Momentos chave do primeiro ano da sonda Rosetta junto ao cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko - ESA

Momentos chave do primeiro ano da sonda Rosetta junto ao cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko – ESA

“Esta missão é sobre descobertas científicas e a cada dia há alguma coisa nova para nos deslumbrarmos e tentarmos entender”, disse Nicolas Altobelli. “Um ano de observações próximo do cometa forneceu-nos uma quantidade enorme de informação sobre ele e estamos expectantes de mais um ano de exploração.”

A missão da Rosetta continua mesmo depois do periélio, altura em que os responsáveis esperam que seja possível voltar a aproximar a sonda do cometa, para encurtar a distância que agora será superior a 150 quilómetros. A Rosetta orbitará o cometa até setembro do próximo ano quando contactará finalmente com o Chury, pousando nele. Mas um ponto que os cientistas não querem deixar de notar é que a Rosetta será não só a primeira sonda a orbitar um cometa, como a primeira a passar no ponto mais próximo do Sol com esse mesmo cometa.

Modificado dia 13 de agosto, às 11h45