Um livro inédito de Fernando Assis Pacheco, um volume da correspondência entre Fernando Pessoa e Mário Sá-Carneiro, e “Uma história da curiosidade”, de Alberto Manguel, são algumas das novidades que a Tinta-da-China publicará até ao final do ano.

O livro de Fernando Assis Pacheco (1937-1995) intitula-se “Bronco Angel: o cowboy analfabeto”, é editado em novembro, e reúne, pela primeira vez, num só volume, as crónicas humorísticas que o autor escreveu no jornal satírico Bisnau, na década de 1980, e que assinou com o pseudónimo de William Faulkingway.

Segundo fonte da editora, “a obra de Assis Pacheco, pai fundador do humor da segunda metade do século XX, passará a ser publicada pela Tinta-da-China”.

Também em novembro é publicado o “volume que reúne toda a correspondência trocada entre dois dos maiores vultos do modernismo português, Pessoa e Sá-Carneiro, numa edição de Jerónimo Pizarro e Ricardo Vasconcelos”, que se intitulará “Em ouro e alma: correspondência com Fernando Pessoa e Mário Sá-Carneiro“.

Este volume, como a editora adiantou à Lusa, “apresenta um ‘corpus’ textual mais completo, relativamente a edições anteriores, organização revista, já que há cartas datadas e não datadas, aparato de notas históricas, inclusão de poemas e textos criativos, anexos às cartas, etc.”.

A temporada da Tinta-da-China abre, em setembro, com “Uma história da curiosidade”, de Alberto Manguel, autor de origem argentina, de quem esta editora publicou, em 2013, o “Dicionário de lugares imaginários”. “Uma história da curiosidade” é, segundo a mesma fonte, “o livro mais pessoal de Manguel, [no qual] traça o mapa da sua própria vida intelectual e literária”. Sai a 25 de setembro.

Também em setembro, é editado “Biblioteca”, de Pedro Mexia, “uma seleção dos melhores textos do intelectual sobre livros portugueses e estrangeiros, antigos e contemporâneos, dando-nos a sua perspetiva sobre os maiores nomes da literatura, dos mais consagrados até aos imerecidos obscuros”, segundo a mesma fonte.

Deste autor, a Tinta-da-China também publica, em dezembro, “Uma vez que tudo se perdeu”, o seu novo livro de poesia, o primeiro de inéditos que publica desde 2011.

Em outubro sai o sexto número da revista Granta, cujo tema é a “Noite”, e são editados cinco novos títulos, entre eles, “Magnificent and beggar land: Angola since the civil war”, de Ricardo Soares de Oliveira, publicado originalmente em Inglaterra, e que a Tinta-da-China aponta como “o grande livro sobre Angola, após a subida ao poder de José Eduardo dos Santos”, atual Presidente da República do país.

LISBON, PORTUGAL - SEPTEMBER 13: A portrait of writer Antonio Lobo Antunes on November 09, 2010 in Lisbon, Portugal. (Photo by Pedro Loureiro/Getty Images)

“Regressos quase perfeitos: Memórias da guerra em Angola”, da antropóloga Maria José Lobo Antunes, recolhe testemunhos de ex-militares do batalhão do seu pai, António Lobo Antunes, em Angola. ©Pedro Loureiro/Getty Images

Relacionado com a ex-colónia portuguesa é também publicado “Regressos quase perfeitos: Memórias da guerra em Angola”, da antropóloga Maria José Lobo Antunes, que recolheu diversos testemunhos de ex-militares do batalhão no qual foi incorporado o seu pai, na década de 1960, o escritor António Lobo Antunes.

Em outubro, saem também os dois primeiros títulos de uma nova coleção da Tinta-da-China, “Ephemera”, sob a direção de José Pacheco Pereira: “Amorzinho”, um volume de correspondência amorosa entre dois desconhecidos, trocada na década de 1940, e “Atocolantes do PPD: Catálogo 1974-1976”.

No mesmo mês será igualmente publicado “Crónicas”, de Gregório Duvivier, um dos protagonistas da série televisiva de humor “Porta dos fundos”, e “Algarve mediterrânico: Tradição, produtos e cozinhas”, de Maria Manuel Valagão, com receitas originais de Bertílio Gomes e fotografias de Vasco Célio.

Em novembro, está prevista a publicação de “Oblomov”, de Ivan Goncharov, traduzido do russo para português na íntegra, pela primeira vez, por António Pescada.

“Cartas persas”, de Montesquieu, na coleção “Viagens”, e a reedição de “Uma aventura secreta do marquês de Bradomín”, de Teresa Veiga – obra que valeu à autora o Grande Prémio do conto Camilo Castelo Branco, em 2009 – são outros títulos da Tinta-da-China para o último quartel de 2015.