Na forma António Costa esteve melhor. Teve a iniciativa, foi mais eficaz no discurso e procurou, dentro do possível, reagir ao passado que o ligava ao anterior Governo do PS.

No conteúdo, mais equilibrado porque Passos conseguiu transmitir as principais mensagens que levava de forma mais acutilante. Associar Costa a um regresso ao passado, relembrar a incerteza e a posição do PS face à Grécia e colar à campanha do PS muitas promessas populistas de que as pessoas já não acreditam.

António Costa, no ponto de vista da sua estratégia, também conseguiu os seus objetivos, fazer o julgamento destes 4 anos de Governação e relembrar os custos da austeridade na vida concreta dos Portugueses.

Mas falou-se mais do passado que do futuro. E esse foi o ponto mais negativo deste debate.

E nesse aspeto, em diversos temas: Saúde, BES, Segurança Social nenhum dos dois foi claro e assertivo e duvidamos que algum tenha retirado aqui vantagem sobre o outro, e tenha sido devidamente esclarecedor junto dos portugueses.

No ponto de vista da expectativa, e numa fase em que as sondagens surpreendentemente assinalam, não só uma recuperação, mas mesmo uma vantagem da Coligação, este debate veio contribuir para reforçar a percepção de que continua tudo em aberto.

E perante posições tão divergentes em quase todos os temas, leva a que a verdadeira conclusão sobre quem ganhou este debate, só se tenha no dia 4 de Outubro, quando percebermos quais dos guiões hoje cruzados os Portugueses mais vão valorizar.

* Luis Bernardo, consultor de comunicação, ex-assessor de José Sócrates e António Guterres

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