Não o debate. Mas o apoio de Costa. Falo de Sócrates naturalmente. Quando António Costa pergunta a Passos Coelho “Porque não vai lá a casa debater com Sócrates?” algo mudou na política portuguesa.

O debate saldou-se por um empate se por empate se entender que nem nenhum dos candidatos derrotou o outro nem nenhum conseguiu vencer (E não, não me enganei, são duas coisas diferentes: ganhar e derrotar.) Passos e Costa têm registos completamente diferentes de intervenção e não foram além deles. Cada um falou para os seus eleitorados e estes reagiram como de costume: os socialistas vão cantar vitória e os sociais-democratas, resguardados no proverbial enviesamento de esquerda do mundo da comunicação, vão achar que no dia das eleições logo se vai ver quem ganhou.

O que disseram e a forma como disseram corresponde às expectativas dos respectivos eleitorados. Os jornalistas e as cadeias de televisão gostariam que o debate fosse decisivo mas tanto Passos como Costa evitaram essa ratoeira. Afinal para que o debate fosse decisivo era necessário exporem-se muito mais. E nem um nem outro esteve para correr esse risco.

O que realmente foi substantivo neste debate foi a frase de Costa para Passos: “Porque não vai lá a casa debater com Sócrates?” Nesse momento, no Bairro dos Actores, percebeu-se, e no Largo do Rato também, que Costa não só deixou cair Sócrates como não está disposto a perder um voto que seja por causa do antigo líder socialista. Sócrates, que começou o debate a ser eufemistica e docemente referido por Costa como “governação socialista”, acabou descartado.

Nesse aspecto houve um derrotado – Sócrates – mas longe de mim escrever que nesse particular o debate foi decisivo. Antes pelo contrário.

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