Em entrevista à TSF e à Antena 1, Miguel Poiares Maduro, responsável no Governo português pela coordenação do processo de acolhimento dos refugiados, disse que o número “não é problemático”.

“Portugal tem condições para acolher 4.500 refugiados. Portugal já disse que aceitava a última proposta da Comissão Europeia”, salientou. Na entrevista, Poiares Maduro relativizou o número e lembrou que o país tem recebido cerca de 35 mil imigrantes por ano. Questionado sobre o Conselho Europeu de esta quarta-feira, para debater a crise dos migrantes, Poiares Maduro afirmou que as decisões ali a tomar deverão ir além de uma mera redistribuição de refugiados no espaço europeu.

“É muito importante que não se preocupem apenas com os problemas de curto prazo. Devem preocupar-se também com questões mais abrangentes, mesmo sabendo que os problemas atuais não são fáceis de resolver”, considerou.

Na terça-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) revelou que Portugal vai acolher “até 4.500” refugiados que estão em Itália e na Grécia. “Foi esta terça-feira aprovada, em Bruxelas, no Conselho de Justiça e Assuntos Internos (JAI) Extraordinário, uma decisão do Conselho Europeu que estabelece medidas adicionais no domínio da proteção internacional a favor de Itália e da Grécia”.

Portugal, que votou favoravelmente a proposta de decisão, acolherá, ao longo dos próximos dois anos, “até 4.500 beneficiários de proteção internacional”, indicou terça-feira o MAI, em comunicado.

O ministério dirigido por Anabela Rodrigues recordou que o Conselho Europeu “aprovou a proposta de recolocação de emergência para mais 120 mil requerentes de asilo, a que acrescem os 40 mil abrangidos pela decisão adotada no Conselho JAI Extraordinário do passado dia 14 de setembro”.

Quando questionada sobre o número de refugiados que Portugal receberá à luz da decisão, a ministra Anabela Rodrigues referiu não haver “praticamente alteração em relação aquilo que tinha sido discutido no último conselho [de ministros português]”, pelo que o país receberá cerca de três mil pessoas em relação aos 120 mil refugiados e, no total, “cerca de 4.500/5.000”.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia reúnem-se esta terça-feira em Bruxelas, numa cimeira extraordinária para debater soluções para a maior crise migratória registada na Europa desde a II Guerra Mundial.

Migrações: Mais de 100 autarquias dispostas a receber refugiados

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) recebeu já o contacto de mais de 100 câmaras municipais do país que se disponibilizaram para acolhimento dos refugiados, com residências e outras formas de apoio.

Em declarações à agência Lusa, a presidente do CPR, Teresa Tito Morais, explicou que já contactaram o organismo “mais cem autarquias”, revelando a sua intenção de ajudar.

“Há uma grande abertura. Mais de 100 câmaras contactaram-nos a dizer que podem intervir. A par disso temos tido outras manifestações de apoio, a Inatel, por exemplo, a Comunidade Islâmica. Também na terça-feira a AMI disse estar disponível com os seus Centros Porta Amiga”, frisou.

Teresa Tito Morais mostrou-se muito agradada com as manifestações de “abertura e recetividade” dos portugueses, lembrando que já são “mais de mil as mensagens com propostas de apoios” que chegaram ao Conselho nos últimos dias.