A Galp atingiu este trimestre uma barreira histórica ao ultrapassar a produção de 50 mil barris de petróleo diários, marco que espera duplicar em 2017 com 100 mil barris por dia. As metas foram reafirmadas esta segunda-feira pelo presidente executivo da empresa, na apresentação dos resultados do terceiro trimestre. Não obstante, Carlos Gomes da Silva reconhece que o “contexto não é fácil”.

Entre os 50 e os 100 dólares por barril de petróleo, há uma diferença anual de 1,7 biliões de dólares que passa da produção (países e petrolíferas) para o mercado e que no caso português representa qualquer coisa como 500 milhões de euros anuais, de acordo com estimativas avançadas por Carlos Gomes da Silva. 

Outro desafio para a Galp é o facto da principal fonte da produção ser o Brasil, onde a parceira Petrobras anunciou um corte no plano de investimentos, face ao escândalo Lava-jato, mas também em resposta à queda das cotações do petróleo e aos problemas da economia brasileira. Segundo Gomes da Silva, este corte nos investimentos não afeta os projetos que são prioridade para a Galp, mas há pelo menos dois campos onde a empresa portuguesa está envolvida e cuja exploração comercial ainda não está decidida e que poderão mesmo vir a ser vendidos a terceiros.

Para além do Brasil, a Galp produz em Angola, onde o Bloco 14 está já em fase final de vida, e o Bloco 32 na fase de investimento, e está a desenvolver grandes reservas de gás natural em Moçambique. 

Com as cotações em queda, foram a refinação e a atividade de distribuição de combustíveis que permitiram à Galp mais do que duplicar os lucros nos primeiros nove meses do ano, para 490 milhões de euros. A recuperação do mercado doméstico de combustíveis, que está a crescer há oito trimestres, e uma margem de refinação em mais de seis dólares por barril, praticamente o triplo, são os fatores que mais pesaram.

Para o presidente executivo da Galp, estes resultados revelam a resiliência do balanço da empresa, que por ser uma petrolífera integrada e diversificada conseguiu resistir melhor aos efeitos de uma desvalorização do preço do petróleo. Mas estas margens “sorridentes”, que permitem recuperar o investimento na refinação e rentabilizar a operação, já estão em queda. E a previsão para o futuro próximo não é tão positiva, avisou. Carlos Gomes da Silva antecipa que no quarto trimestre “se cruzem dois fatores dramáticos para a indústria: petróleo e margens baixas.” 

Gás natural já deu mais gás aos lucros

Também no gás natural, onde no passado recente, a Galp registou ganhos significativos na área do trading, os resultados estão a cair, porque as “oportunidades de arbitragem fecharam”, adiantou Gomes da Silva. Isto significa que já não existem diferenças de preço muito significativas entre as três bacias, Estados Unidos, Europa e sudoeste asiático, que no passado permitiram à Galp lucros relevantes que foram aliás o argumento do governo para aplicar a contribuição extraordinária sobre a energia aos contratos de aprovisionamento de gás natural. 

Considerando o custo de liquefação (converter em GNL) e transporte do gás, os mercados estão mais ligados e os preços acabam por ser próximos. Ainda assim, a Galp continua a apostar no trading do gás, comprando e vendendo no mercado spot para abastecer as redes no centro da Europa. Esta 

Apesar do forte crescimento do consumo de gás em Portugal, puxado pelas centrais elétricas, o carvão é o combustível dominante no setor e representa já 28% da produção elétrica, a segunda principal fonte, a seguir às grandes barragens e à frente das eólicas. Isto porque apesar do preço do gás natural estar a baixar, o carvão ainda é mais competitivo.