O programa de estímulos do Banco Central Europeu (BCE) já injetou quase 400 mil milhões de euros — 395,5 mil milhões — nos mercados europeus, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira, relativos às operações realizadas até final de outubro.

Ao abrigo do plano, que arrancou em março, o BCE já comprou quase nove mil milhões (8954 milhões) de euros em títulos de dívida soberana portuguesa, em termos acumulados Em outubro, o investimento em títulos de Portugal no mercado secundário atingiu 1184 milhões de euros, em termos líquidos. 

Este é o valor mais alto desde pelo menos julho e coincide com um período de alguma pressão dos investidores sobre os juros da dívida portuguesa, na sequência da instabilidade política que se seguiu às eleições legislativas.

No entanto, e de acordo com dados divulgados pelo BCE, a diferença no valor das aquisições face aos meses anteriores, não é muito significativa. Em relação a setembro, os valores mobilizados na aquisição de obrigações nacionais em outubro representaram um acréscimo de apenas 36 milhões de euros, ou seja, de 3%, face a setembro. 

Por outro lado, o reforço das compras por parte do banco liderado por Mario Draghi verificou-se igualmente na aquisição de dívida de outros países europeus que no mês passado atingiu o valor mensal mais elevado desde que o programa de compra de ativos por parte do BCE foi lançado. Só em obrigações soberanas, o banco central aplicou mais de 52 mil milhões de euros, num investimento total superior a 60 mil milhões de euros. 

A principal finalidade deste programa é injetar fundos nos mercados europeus, libertando os bancos do investimento em dívida pública, para que possam aumentar o crédito à economia, mas pretende também estabilizar a cotação dos títulos, caso se verifiquem pressões dos investidores. A reanimação do crédito e do investimento é vista como a chave para a retoma económica e para muito esperada subida da inflação. 

Numa entrevista publicada no sábado, Mario Draghi, deixou em aberto a possibilidade de voltar a aumentar os estímulos à economia. “Se estivermos convencidos de que o nosso objetivo para a inflação no médio prazo está em risco, tomaremos as medidas necessárias”, disse o presidente do BCE ao Il Sole 24 Ore. 

O resultado das legislativas voltou a colocar Portugal no radar dos analistas e agências de rating, sobretudo desde que foram conhecidas as negociações entre o PS e os partidos à esquerda para formar uma alternativa de governo à coligação Portugal à Frente, cujo executivo tomou posse no final da semana passada. Este cenário tem sido apontado como causa para uma subida sustentada dos juros da dívida portuguesa de longo prazo nas últimas semanas.