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Foi esta sexta-feira publicado o primeiro estudo sobre o ecossistema português de scaleups tecnológicas (isto é, startups que já angariaram mais de um milhão de dólares – quase um milhão de euros à taxa de câmbio atual – em financiamento). O estudo, publicado pela Startup Europe Partnership (SEP) e desenvolvido em parceria com a Microsoft Portugal, mostrou que o setor está em franco desenvolvimento.

Em declarações incluídas num comunicado à imprensa, a diretora da área de apoio ao empreendedorismo e desenvolvimento da Microsoft Portugal, Caroline Phillips, afirma que “as scaleups portuguesas se estão a transformar em empresas capazes de competir à escala mundial”. O coordenador do SEP, Alberto Onetti, corrobora e diz que o ecossistema, sendo jovem, “está a crescer rapidamente”.

Apesar de Portugal estar ainda muito atrás de outros países analisados pelo SEP, como a Alemanha, França e Reino Unido, aproximou-se nos últimos anos de outros países do sul da Europa, como Espanha e sobretudo Itália. Ao todo, foram identificadas e analisadas em Portugal 40 scaleups, que em conjunto já angariaram mais de 156 milhões de euros: em média, cada uma angariou qualquer coisa como quatro milhões de euros em financiamento próprio.

Portugal está já a “marcar fortemente o seu território no mapa europeu de startups, com uma comunidade de empreendedores capazes de produzir resultados tangíveis”, segundo o comunicado à imprensa da Microsoft, que aponta as principais conclusões do estudo, que foi apresentado esta sexta-feira nos Up Awards, um evento que reúne o tecido empreendedor português. O setor tem uma importância fundamental para o desenvolvimento e crescimento económico do país, defende a responsável da empresa, Carole Phillips: “Apoiar as startups de hoje é investir no Portugal de amanhã”, argumenta.

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Os bons resultados das scaleups nacionais ganham particular relevo, face à juventude do ecossistema português de startups. 30 das 40 scaleups portuguesas nasceram depois de 2010, e quase metade (48‰) não foram fundadas antes do ano de 2012. Outro dos fatores que sublinha o desempenho do setor é a dimensão da economia portuguesa e do mercado interno: o produto interno bruto (PIB) português é 16 vezes menor que o alemão, 12 vezes inferior ao inglês e ao francês, nove vezes menor que o italiano e seis vezes inferior ao espanhol.

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Também por isso há uma tendência clara de internacionalização das scaleups portuguesas. Segundo o estudo, várias destas empresas nasceram em Portugal mas cresceram fora das fronteiras, tendo deslocalizado a sua sede para outro país, por forma a angariarem financiamento junto de investidores estrangeiros. Entre os exemplos estão, por exemplo, a Feedzai e a Talkdesk, scaleups nacionais que deslocaram a sua sede para os Estados Unidos. Há também a evidência retirada a partir das scaleups já envolvidas em processos de fusão e aquisição: todas foram compradas por, ou fundidas com, empresas internacionais – 66% delas norte-americanas.

Na angariação de capitais, o cenário português é algo parecido com o italiano, já que em ambos os países são as pequenas scaleups que recebem a maior parte do financiamento: das 40 empresas analisadas no estudo, 36 receberam um financiamento de 1 a 10 milhões de dólares (ou seja, de perto de 945 mil euros a cerca de 9 milhões e meio de euros). Em Portugal, não foram encontrados unicórnios (o termo utilizado no meio para caracterizar empresas tecnológicas que, desde a sua fundação, já tenham sido avaliadas em cerca de mil milhões de dólares – perto de 950 milhões de euros).

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A maioria das scaleups portuguesas está localizada em Lisboa e Porto (das 40, 17 estão na capital e 11 no Porto), e trabalha sobretudo nas áreas de Software Solutions, Business Analytics e Saúde.