Para Vladimir Putin a família é sagrada, um espaço privado e completamente vedado a quem chega de fora. E, para os jornalistas, especialmente fechado.
Mas na conferência de imprensa que o presidente russo costuma dar todos os anos, em dezembro, Putin fez algumas revelações inéditas sobre as suas filhas, de quem pouco se sabia. Putin contou que as suas filhas vivem na Rússia e que nunca ficaram fora do país durante muito tempo. E o presidente até decidiu destapar o véu um pouco mais, algo nada habitual neste tipo de encontros. Vladimir Putin quis incentivar a juventude russa a alargar horizontes, já que a grande maioria só fala a língua materna, e disse que as filhas dominam vários idiomas e que não gostam de fama.

No passado mês de novembro, o El Mundo escreveu que Katerina Tikhonova, uma das filhas do Chefe de Estado russo, era apaixonada por dança de competição. Nesta conferência anual, o presidente russo não quis confirmar a veracidade da notícia do jornal espanhol, mas também não a desmentiu. Referiu-se apenas a uma notícia mais antiga: “Há pouco publicou-se que as minhas filhas estudam e vivem constantemente no estrangeiro, mas agora já não escrevem isso. Agora dizem que vivem na Rússia, e é verdade. Nunca viveram no estrangeiro e sempre estudaram na Rússia, em universidades russas”, esclareceu.

Vladimir Putin e Liudmila, sua ex-mulher, anunciaram a separação em junho de 2013 depois de quase 30 anos de casamento. As duas filhas, Maria e Katerina, nasceram em 1985 e 1986, respetivamente, fruto desse casamento. De acordo com o El Mundo, o presidente russo está “muito orgulhoso delas, estão a estudar e a trabalhar”.

Neste cuidado extremo de proteção familiar que o presidente russo nunca descura, a imprensa cor-de-rosa tem criado uma nuvem de fumo (e de rumores) à volta da vida das suas filhas. Foi apenas quando Andrei Akimov, vice-presidente do banco russo Gazprombank, admitiu ter conhecido Katerina quando ainda era criança e que até a tinha visto ultimamente, que o assunto voltou aos jornais (internacionais). Foi, aliás, Akimov, que disse que a rapariga de 29 anos compete em concursos de dança acrobática. Katerina usa o nome Katia Tikhonova nas competições, sobrenome que foi buscar à avó. E chegou mesmo a participar no campeonato mundial de dança, na Suíça, agarrando o quinto lugar.

Voltemos a Putin e às suas revelações oficiais: “Falam fluentemente três línguas europeias e uma delas domina também um dos idiomas orientais”. Como passaram por Dresden, Maria e Katerina dominam o alemão. Além da dança, sabe-se que Katerina também gosta de biologia e de geologia. A sua irmã Maria licenciou-se em estudos orientais e dizem ser próxima de um importante comandante militar coreano.

O presidente russo contou ainda que as suas filhas não trabalham no campo empresarial e que muito menos estão ligadas à política. Mas há mais detalhes sobre as filhas (até aqui muito) misteriosas de Vladimir Putin: A Reuters publicou uma investigação onde desvendou o ordenado de Katerina: 110 mil euros por ano. Como? A trabalhar numa empresa multimedia, a RBC, ao mesmo tempo que colabora com a Universidade Estatal de Moscovo, a gerir o Innopraktika, um programa de desenvolvimento tecnológico e que Putin chegou a elogiar publicamente – sem ter dito que a sua filha era uma das responsáveis pelo trabalho.

Porquê tanto mistério? “Nunca falei sobre isso nem vou dizer onde trabalham concretamente ou o que fazem devido a vários motivos, mas principalmente por razões de segurança”, disse Putin durante a conferência.

Mas há uns tempos o chefe de Estado russo chegou a fazer um desabafo à imprensa: o de que só vê as filhas uma a duas vezes por mês porque não consegue ter tempo para estar com elas: “Reunimo-nos em casa”, deixou escapar. E aproveitam para se encontrarem em alguns eventos públicos. Pelo menos a imprensa russa diz que Katerina estava no Forum Económico Mundial de Davos no início deste ano, onde também esteve o pai: “Nunca desfrutaram da luz da ribalta, simplesmente vivem a sua vida e fazem-nos de uma forma muito digna”, concluiu Vladimir Putin, sem querer alimentar mais conversas.