Afonso Reis é professor na Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e foi o primeiro português a ser nomeado Global Shaper – uma comunidade que agrega empreendedores de todo o mundo. Recém-chegado de Davos, onde representou Portugal no Fórum Económico Mundial, o criador do projeto Mentes Empreendedoras explicou ao Observador que o país “já entrou no mapa” do empreendedorismo, mas que ainda há muito a fazer na vertente social.

“Portugal precisa de filantropos de impacto. Pessoas que doem dinheiro contra resultados. Este mecanismo de financiamento é muito mais adequado [do que o capital de risco], porque no setor social trabalhamos com margem muito pequenas. O objetivo não é ter cada vez mais lucro, mas ter cada vez mais impacto”, afirmou.

Reconhecendo que faltam os mecanismos de financiamento certos para apoiar negócios que tenham por objetivo resolver um problema social, Afonso Reis acrescenta mais dois entraves: a falta de um enquadramento legal adequado e os prazos médios de pagamento que se praticam atualmente.

“Seria muito útil haver empresas sociais em Portugal. Não há enquadramentos legais muito flexíveis – ou se tem uma empresa ou uma organização. Imagine este cenário:  num país emergente, como o Quénia, o acesso à água custa oito euros, mas há uma empresa que consegue reduzi-lo para três euros. Isto é um exemplo transparente do que é uma empresa social. Em Portugal, isto não acontece. Ou temos o Estado a fazer outsourcing ou temos modelos híbridos” afirmou.

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Antes de leccionar na Universidade Nova de Lisboa, Afonso Reis trabalhou em políticas públicas na OCDE e nas Nações Unidas, tendo-se focado nas áreas de educação e empregabilidade. Em Portugal, fundou o Mentes Empreendedoras, uma organização sem fins-lucrativos que pretende inspirar e apoiar jovens a concretizar ideias próprias, com um plano estratégico que encaixa no conceito de modelo de integração. Quis ajudar a criar uma geração de líderes.

Em Davos, vestiu literalmente a camisola do primeiro projeto das Mentes Empreendedoras, o “Inspira o Teu Professor”, que visa ajudar a reforçar a missão social dos professores. Viu, por isso, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, a pedir-lhe para tirar uma foto com ele e a tweetar a hashtag do projeto.

Muhammad Yunus, que é considerado o pai do microcrédito, também se cruzou com Afonso Reis em Davos. “Passou-nos a mensagem de que as pessoas que conseguem fazer dinheiro e montar uma empresa são felizes, mas as que conseguem montar uma empresa e ajudar os outros são super felizes”, contou.

Afonso Reis fez 18 intercâmbios em 16 países. Antes de regressar a Portugal, desenvolveu um projeto de segurança alimentar na Swisscontact, que está a ser implementado nas Honduras, Indonésia e Tanzânia. Foi lá que nasceu a ideia de lançar as Mentes Empreendedoras. É ainda conselheiro na Associação de Alunos da Universidade de Genebra e no Global Shapers Advisory Council on Collaborations.