Numa altura em que o Reino Unido caminha para a realização de um referendo que pode determinar a saída ou permanência na União Europeia, os esforços para que tudo se mantenha como está no seio da Europa começam a surgir.

O Financial Times avança que, depois de intensas negociações, o primeiro-ministro David Cameron vai receber da UE, esta sexta-feira, uma proposta de “travão de emergência” em relação aos trabalhadores imigrantes, o que vai no sentido da exigência feita pelo primeiro-ministro britânico para impedir os imigrantes de receber os benefícios sociais, iguais aos que qualquer cidadão tem direito, durante os primeiros quatro anos de estadia no país.

Ou seja, este novo avanço nas negociações pode também representar uma aproximação em relação às reformas propostas por Cameron para levar a votos no referendo e um passo em direção ao acordo final. Mas, de acordo com FT, não está excluída a hipótese de uma segunda cimeira a realizar-se em fevereiro se o primeiro-ministro decidir lutar pelo melhoramento dos termos da negociação.

Em relação a esta matéria, os negociadores esperam assim que o pacote de benefícios englobe não só as restrições dos benefícios dos trabalhadores, como regras mais apertadas em relação aos benefícios sociais destinados a crianças no exterior e outras restrições relacionadas com o turismo. A acontecer, as partes ativas nas negociações mantêm a confiança que o acordo possa ser alcançado e que o respetivo voto favorável no referendo prevaleça.

Neste momento, está apenas em cima da mesa o esboço que prevê o tal “travão” nos benefícios de maneira independente e em circunstâncias excepcionais. No entanto, existe a percepção de que isso acabaria por ser vetado pela Comissão Europeia ou, em última análise, pelo Conselho de Ministros da União Europeia.

Este segundo conjunto de medidas, que terá partido de uma sugestão de Angela Merkel, terá como objetivo esclarecer a definição de “trabalhador” para terminar com os benefícios sociais nos primeiros quatro anos de residência dos imigrantes.

Esta questão vai estar em destaque durante o jantar com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Downing Street no próximo domingo. Aí, conta o FT, será delineada a estratégia para as próximas semanas, incluindo a data da publicação do texto do esboço.

Para além de tudo isto, oficiais europeus e britânicos consideram este travão como um caminho para conter o número de migrantes a entrar no país, mas é ainda necessário limar algumas arestas para tornar a medida exequível e legal.