Um homem de 81 anos, aparentemente saudável, apresentou uma inflamação grave dos tecidos que rodeiam o cérebro depois de ter sido infetado com o vírus zika. Este é o primeiro caso reportado de meningoencefalite aparentemente ligado ao vírus zika e foi divulgado na revista científica The New England Journal of Medicine.

Embora o caso reportado pela equipa francesa seja o primeiro de meningoencefalite, as infeções com o vírus zika têm sido associadas a outros problemas neurológicos, nomeadamente microcefalia e síndrome Guillain-Barré. De notar, no entanto, que ainda não existe uma prova científica de que a infeção com o zika provoque qualquer um destes problemas.

O homem foi admitido nos cuidados intensivos, em janeiro, 10 dias depois de voltar de um cruzeiro de quatro semanas no oceano Pacífico: Nova Caledónia, Vanuatu, ilhas Salomão e Nova Zelândia. O homem, que não tinha apresentado qualquer sinal de doença durante a viagem, deu entrada no hospital com febre (39,1º C), em coma, com paralisia de um dos lados do corpo e desenvolveu vermelhidão no corpo nas 48 horas seguintes. O doente teve de ser entubado e receber ventilação artificial.

Um dia depois de ter sido entubado, o doente começou a recuperar, mesmo sem receber nenhum tratamento específico. Ao fim de 17 dias de internamento teve alta dos cuidados intensivos e as funções cognitivas estavam totalmente recuperadas ao fim de 38 dias após a entrada no hospital. A única sequela era uma ligeira fraqueza que se mantinha no braço esquerdo. Nas análises feitas ao doente nenhum outro vírus ou bactéria foi encontrado além do zika.

Embora o presente surto de zika esteja a afetar sobretudo a América do Sul, em 2013-2014 houve um surto de zika na Polinésia Francesa (no Pacífico). Os Centros para o Controlo e Prevenção da Doença norte-americanos referem que o vírus se tem espalhado noutras ilhas do Pacífico, como a Nova Caledónia, noticiou o jornal USA Today.

Outra equipa francesa, não relacionada com esta situação, reportou na revista científica The Lancet que uma jovem de 15 anos da ilha de Guadalupe, nas Caraíbas, foi diagnosticada com mielite – uma doença que afeta a espinal medula – em janeiro. A situação mais surpreendente é que a jovem tinha níveis altos de zika no fluido cerebrospinal, sangue e urina, e não apresentava sinais de qualquer outro tipo de infeção.

Sete dias antes de ser admitida no hospital, a jovem deu entrada nas urgências com dores no braço esquerdo, dores de cabeça e olhos vermelhos, mas sem sinais de febre, nem de meningite, nem de problemas motores. No dia em que ficou internada desenvolveu dores fortes nas costas, formigueiro no lado esquerdo do corpo e fraqueza no braço esquerdo. A jovem conseguiu recuperar e ao fim de um mês tinha voltado a andar, mas as pernas continuavam fracas.

Ambas as equipas alertam para que as infeções com vírus zika devem ser consideradas em casos de problemas neurológicos, mesmo aqueles que à partida eram inesperados.