As investigações da operação Lava Jato identificaram uma conta que terá sido utilizada para pagar subornos em Portugal. Os seis débitos, no valor de 750 mil euros, estarão relacionados com a barragem do Baixo Sabor, em Trás-os-Montes, uma das que integrou o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico, segundo o jornal O Globo. O programa em questão, lembra o jornal, foi aprovado pelo governo de José Sócrates, em 2007.

Da conta “Paulistinha” — como foi apelidada — saíram seis débitos entre 25 de março e 9 de abril de 2015 para Portugal. O nome da barragem do Baixo Sabor surge nos documentos apreendidos junto da construtora. De acordo com o jornal, era Maria Lúcia Tavares, que trabalhava no departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, quem centralizava este tipo de “luvas” e é na sua listagem de pagamentos que surge a ligação à hidroelétrica portuguesa.

Não é a primeira vez que o nome da Odebrecht surge ligado a Portugal. Já no âmbito da Operação Marquês — que investiga o ex-primeiro-ministro José Sócrates — a construtora esteve no radar da equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira. Em causa estava a adjudicação de várias obras, incluindo a da barragem do Baixo Sabor, noticiou na altura o jornal i.

A Odebrecht Portugal integrou o consórcio que venceu a construção da barragem do Baixo Sabor, avaliada em cerca de 250 milhões de euros, e estava associada ao grupo Lena, cujo conselho de administração integrava Carlos Santos Silva, também arguido na Operação Marquês. O acordo para a construção da barragem foi assinado em 2008, por José Sócrates e Manuel Pinho, então ministro da Economia.