Em entrevista esta quinta-feira feita ao Porto Canal, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, admitiu que o seu clube “bateu no fundo”.

“Eu candidatei-me porque verifiquei que as coisas estão mal e que têm de voltar a ser como eram. Sinto-me capaz, e tenho a certeza absoluta que vamos dar a volta ao que está mal. Batemos no fundo. Não podemos repetir os mesmos erros. Eu não me candidato para ganhar o que ganhei, eu candidato-me para que o FC Porto volte a ser aquilo que era durante a minha presidência”, afirmou o presidente dos ‘dragões’, que é novamente candidato à presidência do clube, nas eleições marcadas para dia 17.

Sobre a contestação feita pelos adeptos junto à sua casa e sobre a derrota com o Tondela, o presidente do Porto foi muito direto: “Foi o dia em que como adepto do FC Porto senti mais vergonha do meu clube, aí estou do lado dos adeptos. Como adepto, compreendo a contestação. Agora quando me fala em petardos isso não tem nada a ver com contestação”, afirmou o presidente portista, entrevistado por Júlio Magalhães.

Pinto da Costa entrou depois em pormenores e usou da ironia. “Rebentar petardos às 3h30 da manhã não tem nada que ver com adeptos”, afirma o presidente do FC Porto. “Eu que tenho um sono perfeito, não me apercebi de nada, não acordei com o barulho porque o petardo foi dirigido à casa de um vizinho. Depois fui saber junto do ‘vigia’ o que se tinha passado e disseram-me que havia uns cartazes, infelizmente não tive direito a ‘outdoors’ como o Bruno de Carvalho e só estiveram na parede durante dois minutos, depois foram retirados. Uma coisa é a contestação dos adeptos, outra é violência a roçar o terrorismo. Seria curioso a brigada antiterrorismo averiguar como as fotografias chegaram a três jornais, visto que os cartazes só estiveram dois minutos nas paredes”, afirma ainda Pinto da Costa.

Peseiro merece a confiança de Pinto da Costa, que revelou que ele será o treinador na próxima temporada:

“O projeto para a próxima época é com o Peseiro. Um treinador que pega numa equipa a meio da época, tem de trabalhar à pressão e não pode ter os jogadores que quer. Agora, com esta derrota, eu fiquei envergonhado. Sou presidente há 34 anos, não foi nenhum golpe de estado, foi porque votaram em mim e porque os adeptos querem. Mais do que presidente que sou adepto e que quero as equipas voltem a jogar “à Porto”. Jogar para ganhar”.

“Qualquer dia vai haver empresários à porta das maternidades”

Sobre o facto de o Porto já não ter grande controlo das transferências de jogadores e a ausência de títulos, o presidente do portistas afirmou:”Quando nós queremos um jogador e aparece um clube de Inglaterra que desceu de divisão mas que tem 10 vezes mais dinheiro que o campeão em Portugal a coisa torna-se difícil”. Sobre a questão dos agentes de futebol e do dinheiro que é movimentado, o presidente do FC Porto disse: “A questão é a seguinte: todos os jogadores têm um agente, e se eu disser ao agente que não pago comissão, eu nunca mais vejo esse jogador, isso é evidente. Acontece em todos os clubes. Só pagamos quando nos dão o documento e pomos tudo nas contas com a maior transparência. Em três negócios, em três anos, um único empresário recebeu 11 milhões de euros de comissões. Nós pagamos com contas auditadas e tudo oficializado, não há pagamentos por fora”.

Também o caso do jovem Ruben Neves foi posto em cima da mesa pelo jornalista:”Um jogador que chega à formação tem empresário. Qualquer dia vai haver empresários à porta das maternidades. No caso do Ruben Neves, é um jogador representado pelo Jorge Mendes. E no ano passado propôs-me a venda do jogador mas pôs logo como condição que tinha de receber 10%. Portanto, vindo da formação ou não, um empresário tem de receber a sua comissão. Falei do Ruben Neves porque é o mais falado.”

Pinto da Costa desmentiu que o clube escolhe os jogadores pelos empresários: “Eu quero é jogadores que joguem. Não me interessa se são amigos, se não gosto deles, eu tenho é de fazer o negócio.

Sobre a atual situação dos direitos televisivos dos clubes, com vários milhões de euros envolvidos a chegarem aos três grandes, Pinto da Costa foi direto. “Os adeptos não são parvos. Agora, nem todos gostaram da nossa decisão. Quando eu tinha um contrato que me pagava por ano 18 milhões e nós assinamos um contrato por 41,5 milhões, não podia dizer que não. Algum sócio do FC Porto pode contestar esse negócio? Não percebo, não entendo. A passagem de 18 para 41,5 milhões, mais as camisolas, vai-nos permitir maior estabilidade na equipa e assim não temos de vender jogadores forçadamente”.

Quanto à questão do passivo do clube, Pinto da Costa mostrou-se afastado daquilo que se diz na internet: “Eu não vejo blogs nem Facebook mas às vezes mostram-me coisas interessantes. E posso dizer-lhe: em 2013/2014, o FC Porto tinha de capitais próprio 33 milhões negativos. Em 2014/2015, subiu o passivo e duplicou o ativo que passou para para 83 milhões de capitais próprios positivos. Em 2013 estávamos preocupados. Agora temos o melhor dos três grandes. O passivo do Benfica são 429 milhões. O do FC Porto são 276 milhões. Mas o Benfica tem 500 mil de capitais próprios. Interessa-me é que o ativo seja superior ao passivo”.

Lopetegui? “A culpa é minha”

No que toca à escassez dos títulos, Pinto da Costa mostrou-se com vontade de ganhar mais: “Ninguém ganha sempre mas eu quero ganhar sempre. E você também quer. E os adeptos. E acredito que o FC Porto pode voltar a ganhar. O adepto de qualquer clube que não queira ganhar um campeonato ou é maluco ou é infiltrado”.

Como seria de esperar, a questão sobre o ex-treinador do FC Porto, Julen Lopetegui, e a sua passagem pelo clube dos dragões surgiu e Pinto da Costa afirma que deixou o treinador espanhol contratar jogadores com grande categoria.

“Eu contratei jogadores que não conhecia porque confiei nele. E houve vários jogadores que não tinham categoria para jogar no Porto. Agora diz-me assim: a culpa é do Lopetegui? Não, a culpa é minha que acreditei em quem não devia. Mas isso não volta a a acontecer”.

“Já disse aos jogadores que esta época acabou e que têm 6 jogos no final da época, de “pré-época”, para ver quem tem caráter e valor para jogar no FC Porto. Ainda temos a Taça de Portugal, que é a segunda prova mais importante. Outros ganham a taça da liga e só não é feriado porque o jogo é ao domingo, só por isso” ,disse Pinto da Costa sobre a má época do FC Porto, onde ganhar a Taça de Portugal é a grande prioridade.

“Não tenho nada a favor nem contra Fernando Gomes”

No que toca ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e a sua candidatura, Pinto da Costa mostrou que não havia necessidade de apoiar individualmente Fernando Gomes. “Se existe uma liga onde estão os clubes, eu acho que é nessa liga que se deve estudar se é necessário, ou não, apoiar o Dr. Fernando Gomes. Não concordo é que cada clube tenha de mostrar o seu apoio. Porque isso dá a ideia negativa de que o Dr. Fernando Gomes anda a pedir apoio. Isto não é uma troca de favores. Não tenho nada a favor nem contra, estou à espera de conhecer as listas. Agora não posso dizer que apoio o Dr. Fernando Gomes e amanhã sai uma lista com uma série de indivíduos que eu acho nefastos para o futebol. Eu não vou apoiar. Não estamos a escolher o presidente da republica, estamos a escolher um presidente da Federação”.

Sobre a seleção Nacional de futebol, o presidente do Porto destacou o caráter o trabalho do selecionador Fernando Santos mas mostrou-se reticente quanto à prestação da seleção das quinas.