Os soldados portugueses que combateram na Primeira Guerra Mundial e na Batalha de La Lys vão ser hoje homenageados no Cemitério Militar Português de Richebourg e no Monumento aos Mortos de La Couture, na região de Nord-Pas-de-Calais, no norte de França.

A cerimónia de comemoração do 98º aniversário da Batalha de La Lys começa no cemitério militar português de Richebourg, palco da batalha ocorrida a 09 de abril de 1918, onde estão sepultados 1861 soldados portugueses.

De acordo com o comunicado da Embaixada de Portugal enviado à agência Lusa, vai haver uma intervenção religiosa, deposição de flores, hinos nacionais, alocuções e assinatura do livro de honra no cemitério militar às 11h (10h em Lisboa).

A intervenção religiosa vai ficar a cargo do Capelão das Comunidades Católicas Portuguesas em França, o padre Carlos Caetano, naquela que é “a quinta colaboração com a Embaixada de Portugal, nas comemorações da Batalha de La Lys”.

“Homenagear e recordar estes soldados (para além do dever de memória) é uma verdadeira catequese. É um convite a não esquecer o sofrimento de guerra. É uma exortação a procurar incansavelmente alternativas não violentas para a resolução dos conflitos. Que não haja dúvidas: quem esquece o passado está condenado a repeti-lo”, disse à Lusa o padre Carlos Caetano.

O capelão das Comunidades Portuguesas em França, “filho de um ex-combatente da guerra do Ultramar” considerou que a efeméride serve para recordar “não apenas os soldados da batalha de 1918, mas todos os soldados portugueses de ontem e de hoje”, incluindo o próprio pai “e todos os companheiros que com ele viveram a experiência da guerra”.

No programa segue-se, ao meio-dia (11h em Lisboa), uma homenagem ao Corpo Expedicionário Português (CEP) no Monumento aos Mortos de La Couture, uma escultura do artista António Teixeira Lopes inaugurada em 1928.

As comemorações vão contar com a presença do Secretário de Estado da Defesa Nacional, Marcos Perestrello, com o embaixador de Portugal em França, José Filipe Moraes Cabral, com o Cônsul-geral de Portugal em Paris, António Albuquerque Moniz, com o Presidente da Liga dos Combatentes de Portugal, Tenente-General Chito Rodrigues, com uma delegação de militares das Forças Armadas Portuguesas proveniente da Bélgica e com representantes de várias associações portuguesas em França.

Portugal entrou na Primeira Guerra Mundial em março de 1916 e sofreu uma das maiores derrotas militares de sempre na Batalha de La Lys, considerada como “a Alcácer Quibir do século XX”.

A 09 de abril de 1918, enquanto faziam um render de tropas, os militares portugueses, comandados pelas forças britânicas, foram surpreendidos por um ataque alemão que acabaria por conquistar La Lys e depois as terras altas da Flandres, tomando Ypres e o monte Kemmel, já na Bélgica.