Marques Mendes acredita que foi um “erro” Maria Luís Albuquerque ter avançado que “nunca se deve dizer nunca” à possibilidade de suceder Passos Coelho na liderança do PSD. “Não há coisa pior para qualquer líder de qualquer partido do que começar a especular sobre a sua sucessão, evidentemente que o fragiliza, evidentemente que o enfraquece, portanto não foi um grande tiro”, afirma no seu habitual espaço televisivo na SIC.

Para o comentador, que foi também presidente do PSD, o momento do anúncio deveria ter sido apenas após as eleições autárquicas, pois serão um teste forte. “Passos Coelho colocou a fasquia muito alta, disse que quer ganhar, coisa que não é fácil”, argumenta.

Marques Mendes antecipa, no entanto, que a corrida pela sucessão de Passos Coelho vai ser disputada ainda por outros dois candidatos: Rui Rio, “que agora já está liberto da ideia de Belém, que agora pode ter a tentação e anda muito ativo” e Luís Montenegro, “que é um líder parlamentar, tem ganho estatuto e visibilidade”.

Sobre a solidez da “geringonça”, Marques Mendes afirma que a coligação formada pelo PS, Bloco de Esquerda e PCP é “sólida para durar este ano”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Há muita gente que acredita que as coligações das esquerdas vão cair, e outros desejam que caiam. Independentemente dos desejos de cada um, do ponto de vista de análise objetiva e fria, eu julgo que a coligação está sólida para durar este ano, par aprovar o Orçamento para o próximo ano, ou pelo menos até as eleições autárquicas. Acho que não vai haver nenhuma rutura”.

Questionado sobre o Programa de Estabilidade, Marques Mendes diz que acabou por haver uma votação indireta ao documento na Assembleia da República, apesar de o Governo não ter optado por levá-la a votos, Marques Mendes defende que o programa deveria ter sido votado porque “é um documento estruturante”. No entanto, salienta que há duas pessoas que saem vitoriosas do debate: Assunção Cristas, líder do CDS, “porque marcou uma posição e com isto ultrapassou o PSD e firmou a sua independência”, e António Costa, “porque queria levar o programa a votos, mas o PCP e Bloco não queriam, portanto conseguiu o que queria, sem ter o desgaste de tomar a iniciativa.”

O primeiro 1 de Maio em que a CGTP não pediu demissão do governo

O ex-líder do PSD acredita que o Dia do Trabalhador este ano, o primeiro com António Costa como primeiro-ministro, foi diferente dos anos anteriores, do ponto de vista político. “Deve ser a primeira vez em Portugal que a CGTP não faz um discurso a pedir a demissão do Governo”, afirmou este domingo no seu habitual espaço televisivo na SIC.

O ex-líder do PSD salientou que “nunca, como nestes últimos meses, houve tão poucas greves em Portugal” e que “as grandes manifestações de rua, que foram poucas [este ano], não foram promovidas pelas centrais sindicais”. “Os sindicatos têm em qualquer circunstância que manter esta chama”, defende.

Para Marques Mendes, a relação entre o PCP e a CGTP está a ser posta à prova no governo de António Costa. “A CGTP está umbilicalmente ligada ao Partido Comunista. E o Partido Comunista tem que fazer uma atuação em dois caminhos: um é o plano do discurso e outro da prática. Na prática, vota pelo Programa da Estabilidade e por todas as medidas que são necessárias, no discurso, tem de se demarcar, e portanto quanto mais suave na prática, mais forte tem de ser no discurso para agradar a CGTP”, explica.

O ex-líder do PSD criticou ainda o Banco de Portugal, que se posicionou contra a aplicação integral pelos bancos de taxas de juro negativas nos créditos à habitação. “Acho que o Banco de Portugal e o Governador não têm razão. É legítima a preocupação da banca de não perder dinheiro, não é bom para ninguém que a banca perca dinheiro, como temos visto, agora alguém também tem de defender o cidadão.” Marques Mendes acredita que pode haver uma lei para regulamentar novos contratos apenas “para o futuro”, ou seja, em novos contratos.

Ainda sobrou tempo para comentar a guerra entre táxis e Uber. Marques Mendes julga que a concorrência é positiva “do ponto de vista do cidadão”, mas admite que os taxistas têm parcialmente razão. “Acho que [os taxistas] não têm razão quando pedem para proibir a Uber, porque isto é proibir a concorrência. (…) Agora acredito que têm razão quando dizem que tem de haver uma concorrência leal, tem de haver regras que garantam igualdade no funcionamento dos dois serviços”.

Para solucionar o conflito, deixa pistas. “Primeiro, os taxistas têm de aprender um bocadinho com a Uber, têm de aprender a usar tecnologias, têm de aprender a ter mais urbanidade, a ter mais atenção com o cliente. Segundo, acho que é importante que o Governo faça uma legislação correta, atual, com a definição de regras atuais e modernas, que sejam respeitadas por todos. Tudo isto feito para a defesa do cidadão e para a defesa do ambiente”.