O governo português pediu autorização para ajuda de Estado adicional no Banif até 3.001 milhões de euros “por uma questão de prudência”, diz Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado adjunto, do Tesouro e das Finanças. Tudo indica, diz o responsável, que a resolução do Banif não irá ser tão onerosa para os cofres do Estado porque há ativos do Banif que foram transferidos para o veículo Oitante e que serão vendidos. Mourinho Félix diz que, no final, o custo não irá ultrapassar os 1.700 milhões.

Em artigo de opinião no Jornal de Negócios, intitulado “As contas certas da venda do Banif ao Santander”, Mourinho Félix explica que os três mil milhões injetados no Banif são um valor que tem implícito um valor de zero para os ativos que não foram vendidos ao Santander nem permaneceram no Banif mau.

Mourinho Félix está confiante de que esses ativos poderão ser vendidos a um preço elevado, abatendo na fatura final para o Estado. “A materialização do valor estimado pelo assessor financeiro do Banco de Portugal permitirá ganhos que reduzirá o custo para o contribuinte para próximo de 1.700 milhões de euros”, prevê o secretário de Estado.

O Governo defendeu a avaliação por 1.200 milhões de euros com base na proposta do assessor financeiro da BdP na resolução. A imposição da DG Comp, justificada apenas pela impossibilidade de avaliar estes ativos, à data, implicou uma injeção significativa de fundos públicos. Estes foram entregues à Oitante, uma sociedade pública, que emitiu obrigações garantidas pelo Estado e que beneficiará do valor de venda que exceda o valor da garantia”

Ainda assim, Mourinho Félix reconhece que “o custo da resolução para os portugueses foi elevado e traduziu não só a falta de contas certas, mas também a complacência das autoridades com a deterioração continuada do Banif”. Pedindo consequências para os responsáveis, o secretário de Estado do PS diz que “o banco, que era péssimo em 2013 quando foi capitalizado, tornou-se num péssimo negócio para os portugueses”.

Maria Luís deverá voltar a ser chamada à Comissão de Inquérito

O jornal i diz, também esta quarta-feira, que PS, Bloco de Esquerda e PCP vão pedir um novo testemunho de Maria Luís Albuquerque na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif. Segundo o jornal, os deputados dos três partidos veem “incongruências” nas declarações da antiga ministra das Finanças aos deputados.

As incongruências, explica o jornal, estão relacionadas com os planos que Maria Luís Albuquerque tinha para o Banif, que se inspirava no que aconteceu com um pequeno banco catalão. Os deputados dos partidos da esquerda consideram que as duas situações tinham muitas diferenças e querem ouvir a ex-ministra das Finanças falar sobre este assunto novamente.