Rádio Observador

União Bancária

“Interesse nacional não foi bem acautelado” no Banif, diz Luís Amado

145

Luís Amado, último presidente do Conselho de Administração do Banif, diz que houve, "claramente", um "apoio a uma instituição ibérica" para que comprasse o Banif -- numa referência ao Santander.

Luís Amado foi o último presidente do Conselho de Administração do Banif.

© Hugo Amaral/Observador

Luís Amado, último presidente do Conselho de Administração do Banif, diz que houve, “claramente”, um “apoio a uma instituição ibérica” para que esta comprasse o Banif — numa referência ao Santander. Em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o interesse nacional “não foi bem acautelado” nesse processo e, também, na resolução do Banco Espírito Santo — Luís Amado fala em “experimentação” para desenhar a União Bancária europeia.

“No contexto da União Bancária, o rolo compressor desta, a partir do momento em que entrou em vigor a parte mais recente da legislação, a pressão das instituições europeias sobre a visão das instituições nacionais foi muitíssimo grande”, diz Luís Amado, defendendo que “a arquitetura do sistema bancário europeu foi desenhada em grande parte à revelia dessa visão do interesse específico nacional.

No caso português pareceu-me evidente, até porque houve situações de experimentação no caso português, em grande parte no BES e mesmo no Banif. Situações que serviram de referência para o próprio processo de avanço da União Bancária”.

No caso do Banif, que Luís Amado viveu de perto, o interesse “não foi bem acautelado, se tivermos em consideração a grande exposição que as duas Regiões Autónomas tinham com o Banif, especificamente a quota de mercado que aí representava e o que representou neste caso a cedência do Banif naquele contexto, aos interesses de uma visão do conjunto europeu. E que prevaleceu, no fim do processo, claramente de apoio a uma instituição ibérica”.

No Banif e no BES, a resolução foi boa opção? Havia alternativa? “Eu não sei se havia alternativa, sinceramente. Porque é preciso estar na posição de negociação que não era a minha, a posição de confronto direto com as instituições europeias. Agora acho que do ponto de vista dos interesses nacionais não foram as boas opções”, defende Luís Amado.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros comentou, também, o cumprimento da meta do défice, lembrando que a Comissão Europeia fez pressão, antes do verão, para que o Governo aumentasse a disciplina na execução orçamental. “O défice de 2016 em grande parte foi conseguido com um corte grande no investimento público e por antecipação de dívidas ao Estado”, diz Luís Amado, alertando que “os problemas estruturais continuam lá todos” e uma dia acabará o “efeito anestesiante” dos estímulos do Banco Central Europeu (BCE).

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)