Um grupo de investigadores da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, propôs-se a destruir um mito — o de que as pessoas com excesso de peso vivem menos tempo. O resultado da investigação foi publicado esta terça-feira na revista da Associação Média Norte-Americana, a JAMA, e mostra exatamente o contrário — afinal, as pessoas que vivem até mais tarde (tendo em conta todas as causas de morte) têm um Índice Corporal Massa Corporal médio de 27. Ou seja, têm peso a mais. Não são obesos, mas são ‘gordinhos’.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores analisaram três grupos de indivíduos que se inscreveram no Estudo do Coração da Cidade de Copenhaga e no Estudo Geral da População de Copenhaga em três períodos diferentes. No total, foram estudados 120.548 pessoas, que concordaram em participar nos estudos entre 1976 e 2013.

Apesar de terem concluído que o Índice de Massa Corporal (IMC) tem vindo a aumentar nos últimos anos, uma realidade que é comum à maioria dos países (não só à Dinamarca), os cientistas aperceberam-se de que o risco de doenças cardiovasculares tem diminuído entre as pessoas que têm excesso de peso. Mas não só — os que têm mais peso, vivem mais anos do que os que não têm. Por esse motivo, os autores do estudo acreditam que o IMC com menos causas da morte associadas pode ter alterado e que a tabela talvez precise de ser revista.

Borge Nordestgaard, principal autor do estudo, explicou ao El Español que os resultados do estudo se baseiam apenas na observação e que, por isso, não é “possível falar em causa e efeito”. “Concluímos que as pessoas com IMC de 27 vivem mais, mas não avaliámos o que pode acontecer se uma pessoa com IMC de 23 decidir comer mais para chegar a 27”, disse.

Na opinião de Nordestgaard, porém, as conclusões da investigação mostram que é preciso decidir se a tabela de IMC deve ser revista. “Acho que a Organização Mundial de Saúde deve nomear um grupo para rever a literatura”, concluiu.